quinta-feira, 30 de abril de 2009

A mídia, a desconfiança e os porcos.

Que sou um eterno desconfiado, isso é fato. Provavelmente foi a desconfiança que me atraiu para perto da filosofia e me tornou esse cri-cri como eu mesmo já me decrevi aqui no blog.

Todo filósofo deve ser um desconfiado, salvo os positivistas, que antes de filósofos são apenas relatores da existência. A diferença entre um filósofo e um positivista é a mesma que existe entre um narrador e um comentarista num jogo de futebol. Enquanto o narrador dita o que está acontecendo, o comentarista diz porque acontece e o que pode ser feito para mudar o panorama da partida. Assim, os narradores da existência são os posistivistas, e os comentaristas são os filósofos.

Voltando a desconfiança, foi a partir delas que cheguei a conclusões interessantes. Foi baseado nela que observei que na política é preferível não votar do que ser cúmplice de tamanha corrupção. Foi na desconfiança que tive certeza que Deus, santos e anjos não existem, e que foram criados para encher o bolso de seus representantes. Foi através dela que comecei não mais acreditar no amor eterno e sim em momentos de amor eternamente memoráveis.

Mas é diante da mídia que minha desconfiança é geral. Boa parte dessa desconfiança é decorrente dos ocorridos nas eleições de 1989. Lá Collor, esse mesmo que se elegeu senador nas últimas eleições, e que ninguém conhecia nacionalmente, venceu Lula , Brizola, Ulisses, Covas, e tantos outros que eram ícones da redemocratização brasileira. Tudo muito estranho. Minha certeza de que foram eles (os donos da mídia) quem ganharam as eleições, aconteceu quando dois anos depois, Collor pediu renúncia, depois do clamor popular. Vale lembrar que tal clamor só aconteceu porque eles, a mídia, fizeram um alarde geral chamando os jovens para as ruas. Afirmo isso, pois escândalos de tais níveis ocorreram depois do governo Collor, mas nenhum jovem mais para a rua foi. Porque? Porque a mídia não o convocou.

Agora estamos frente a gripe suína etc e tal...querem saber o que acho, ou melhor, o que desconfio?

Desconfio que tudo não passa de um grande golpe especulativo. Ações de frigoríficos caem, outras sobem, e todos eles, especuladores e donos da mídia enriquecem.
O povo? Esse entra em pânico, compra máscaras e enche os templos orando por salvação?

Porém quem sofre mesmo são os porcos. Coitado dos porcos. Milenarmente condenados pela palavra de Deus, agora sofrem preconceito só por culpa de um resfriado. Não, não, não.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Eu e os 30.

Cheguei aos 30. Sim, aos 30. Sei que isso para muitos é espantoso, afinal, tanto fisicamente como psicomoralmente não aparento tudo isso.
Para a sociedade em geral, já deveria ter alcançado minha independência financeira,ter constituído família; já deveria ter de parado de pensar como um adolescente que sonha mudar o mundo e partir para a exploração desenfreada do sistema capitalista. Não fiz nada disso. Ainda sou solteiro, dependente e sonhador. Sonho em acabar com a Igreja, em mudar a política, e pasmem, sonho ainda em um dia ter um relacionamento que ultrapasse o moralismo vigente na sociedade. Algo liberal e cheio de amor, ou se prefererirem, cheio apenas de querer bem.
Quem sabe ainda esteja solteiro exatamente por isso. Dizem que as mulheres querem segurança, querem alguém que proteja a família que uma dia elas sonham ter. Devo ter me protegido incoscientemente disso através da minha não independência financeira. É impossível ser independente e estar casado. Acho cômico por exemplo, aqueles casais de estudantes universitários apaixonados, que ao serem questionados quando será o casamento, respondem: só depois de formados. Nada mais equivocado. Eles atingem a independência finacenceira e perdem a independência pessoal. Sempre digo que perdemos metade da nossa liberdade quando casamos e a outra metade quando colocamos o primeiro filho no mundo. Sou, como não podia deixar de ser, uma contradição: sou livre do casamento mas dependente da família, que num ato impensado me colocou neste mundo cruel. Prefiro assim, e me convenço disso quando observo os casais que andam por aí.
Outra causa de ainda não ter me rendido ao moralismo que a sociedade impõe, se deve ao fato de ser fiel a mim mesmo. Lembro que quando adolescente nas conversas entre amigos, falávamos sobre o não preconceito e sobre a não mudança de personalidade. Sonho de adolescentes sabem? "Somos responsáveis e jamais devemos incriminar aquilo que fomos um dia". Ecoavam as vozes da juventude. Hoje toda vez que ouço um "velho" amigo meu de 30 anos incriminar a juventude vigente, vejo o quanto eles mudaram e eu parei no tempo. Ou seria o contrário?
Por fim, tenho um amigo que diz que se quisermos realizar alguma mudança, devemos apostar na juventude. É ela que ainda sonha, que ainda enxerga possibilidades.
Assim, sonho ainda em despertar ou de manter no espírito dos jovens a "rebeldia" da juventude, ou seja, o sonho.
Sonho, e por isso me mantenho um adolescente...com 30 anos.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

Uma casa feita de... maconha

Casa feita de maconha

O consumo de maconha é tema de discussões acaloradas. Mas parece que os que são contra e os que são a favor da liberação da erva estarão agora do mesmo lado: cientistas desenvolveram uma técnica curisosa que permite que casas possam ser construídas com maconha.

A invenção está deixando em êxtase os ambientalistas. Em vez de tijolos e cimento, as casas estão sendo erguidas com um tipo da droga, chamada maconha-lima. Para tocar o projeto da Universidade de Bath (Inglaterra), os cientistas usaram uma fibra proveniente da cannabis. O material é superleve e livre de carbono. E sem aquele cheiro característico que está ficando cada vez mais comum nas ruas destas bandas.

O líder do projeto, Pete Walker, do Centro de Materiais Inovadores para a Construção, disse esperar que a maconha seja amplamente utilizada em breve pela engenharia civil.

O projeto, de três anos, custou mais de dois milhões de reais.

Lembremos que o Brasil vive um grande déficit de residências e que recentemente o governo Lula liberou os detalhes de um plano de novas moradias. Seria a maconha a solução?

A maior preocupação é se a casa pegar fogo: será que os moradores vão mesmo chamar o corpo de bombeiros?


Retirado do site: http://oglobo.globo.com/blogs/moreira/

Deus mandou...ela fez.

Uma mãe aponta a arma e atira no próprio filho, antes de se matar. A cena foi flagrada pelas câmeras de um centro de treinamento de tiro em Casselberry, na Flórida, Estados Unidos - e a notícia foi publicada pelo jornal britânico "Daily Mail" nesta quarta-feira (8).

Segundo a reportagem, Marie Moore, de 44 anos, acreditava que era um "anti-Cristo" e levou seu filho Mitchell, de 20 anos, para o que ele acreditava ser uma tarde de prática de tiro.


Mas, no meio da prática, Marie mudou seu alvo e apontou a arma para o filho. Após atirar, ela desviou das câmeras e atirou contra a própria cabeça. Marie morreu pouco tempo depois de ser levada para o hospital. Em uma nota, ela escreveu: "Me desculpe. Eu tive que mandar meu filho para o céu e ir para o inferno."

De acordo com o "Daily Mail", em áudios gravados antes do incidente, Marie afirma que planejava a morte do filho para "salvar o mundo da violência". Ela diz que ouvia Deus falando pra ela: "você tem uma arma. Você pode fazer isso". "Eu tenho que morrer e ir para o inferno, só aí poderá existir milhares de anos de paz no mundo", explicava.

Investigações da polícia revelaram que Marie tinha um histórico de doenças mentais. Nas fitas gravadas, ela conta sobre os períodos em que passou em hospitais psiquiátricos e sobre a 'miséria e tormenta' mental que sofria.


Ela havia sido banida do campo de treinamento de tiro sete anos atrás quando tentou se matar, disse seu marido à polícia.

Olho por olho dente por dente?

Ontem a tardinha, ouvindo o Pretinho Básico, me deparei com seguinte notícia e a consequente discussão: "Um homem foi condenado a usar 20 gotas de ácido nos olhos, pelo fato de ter jogado ácido numa mulher, depois de a mesma ter se recusado a casar com ele. A mulher ficou cega e teve seu rosto desfigurado". A punição é prevista na Sharia, a Lei Islâmica, que prevê castigos seguindo a lógica do "olho por olho, dente por dente" no caso de crimes violentos. A pena para um assassino é a morte, para um estuprador é estupro, e assim por diante. É cruel? Sim, é cruel. É justo? Não sei.

Se pensarmos no dano causado a mulher, eu diria que sim, é justo. Pergunte a ela para ver o que ela acha? Ou pense: o que você faria com um estuprador que estuprou sua filha?

Porém, não vivemos num mundo justo. O Estado que deveria zelar por nós e não zela, é o mesmo que nos pune. Sou favorável a tal lei, desde que o Estado nos dê condições de termos uma vida digna. Habitação, saúde, educação, segurança, devem ser levados a todos, sem burocracia alguma. Eu diria que num Estado Igual, ou seja, num Estado Comunista, tal lei não é de forma alguma injusta. Apesar disso, sabemos que tal Estado foi até hoje impossível de ser alcançado, o que faz tal lei ser vista como absurda.

Se todos tivéssemos nossas necessidades básicas supridas e dignidade para vivermos em sociedade, não haveria motivo algum para alguém se inclinar ao crime e a punição seria justa. Afinal, que motivo alguém teria para se tornar um criminoso?

O tema é polêmico, mas é interessante para refletirmos...não é?

Abraço e ótima quarta-feira a todos.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

As Imagens da Final do Regional de Futsal

Na vida estamos sempre descobrindo algo. Neste final de semana cheguei a duas conclusões: ou minha câmera é muito ruim ou sou um terrível cinegrafista.
Embora as imagens não tenham ficado muito boas, está aí o final do jogo (que não terminou).
Porque o jogo não terminou? Assista ( se conseguir ) e descubra.

domingo, 5 de abril de 2009

O Grenal da Obrigação.


O Grenal por si só já é um jogo especial, porém, o Grenal de hoje é mais que especial. Pela lógica do futebol, inclusive, ele não era para estar acontecendo agora, afinal, ele é válido pelas quartas de final do segundo turno do Campeonato Gaúcho. Um Grenal, convenhamos, é jogo de final, e não de quartas de final. Apesar disso, e como disse anteriormente, ele é um Grenal mais que especial. E porquê?
Porque ele não será lembrado por ter sido somente um Grenal de Gauchão e sim por ser o Grenal do Centenário. O Sport Clube Internacional comemorou 100 anos ontem e está em festa. E a festa só será completa se o Colorado da Beira Rio vencer. O Internacional hoje, tem a obrigação de vencer. E não somente pelo fato de estar aniversariando, e sim por possuir a melhor campanha, o melhor time.
É exatamente tal obrigação por parte do Colorado que faz com que 0 Tricolor da Azenha só obtenha lucros com o jogo de hoje, mesmo que venha a ser goleado. Se for goleado o Roth cai, para alívio da torcida gremista, agora se vencer...o Roth fica.
Tem algumas más línguas dizendo inclusive, que existem colorados torcendo contra o próprio time. Tudo pelo Roth. O pensamento deles é lógico: uma vitória colorada hoje, reabilitaria o Grêmio, afinal Roth cairia, Felipão retornaria, e o Grêmio seria Tri da América. E não teria nada mais terrível para o Mar Vermelho que um título continental do Tricolor no ano do centenário colorado. Vejam que o Inter, só tem a perder e o Grêmio só tem a ganhar.
Não faço parte dos colorados que querem que o Inter perca, porém faço parte dos que querem que o Roth continue no Grêmio. Assim, para solucionar o impasse, vou torcer para que o Inter vença, mas...nos pênaltis. Quero que Grêmio jogue bem, mas...perca. Dessa forma, Roth não cai e o Inter não tem o seu Centenário manchado de azul.
Quero vencer...mas nos pênaltis.

sexta-feira, 27 de março de 2009

As certezas incertas.

Nada mais desesperador que a certeza, que o fim. Claro que ambos possuem algo gratificante, porém eles nos levam somente a dois lugares: ou a morte ou a um novo começo. É contraditório, mas não é o fim que nos dá prazer e sim o caminho percorrido até ele. É uma pena que muitas vezes somente ao chegar no fim é que acabamos por dar valor ao caminho. Curtir o caminho é o grande segredo.

Quando pensamos na filosofia, na ciência, na política e na religião vemos o quanto as certezas são curiosas. A filosofia na sua essência jamais quis chegar a alguma certeza, ela é busca, é ousar querer descobrir algo que não está ao seu alcance. Ela inclusive começou a ruir quando Platão inventou o Mundo das Ideias - lugar onde supostamente a certeza e a verdade estariam depositadas - e terminou de ruir quando Aristóteles inventou a lógica. Tanto Platão quanto Aristóteles, inocentemente ou não, acabaram com a filosofia socrática, aquela que tinha como máxima o “só sei que nada sei”, ou seja, a incerteza. As religiões monoteístas e a ciência, por sinal, sobrevivem da certeza incerta.

As religiões usam a certeza da morte, ou seja, a certeza do fim, para vender com certeza, a certeza da incerta vida eterna. Assim, basta seguir certas leis, e a única certeza que temos desaparece, dando lugar a ilusão da eternidade. Tudo muito lindo e muito rentável para os exploradores do dízimo.

A ciência por sua vez, também vive de certezas incertas. As certezas para a ciência duram até que alguém as prove o contrário. Paradoxal também. A grande diferença entre a ciência e religião é que a primeira tem a humildade de reconhecer que a certeza é algo que pode ser alterado. É incrível, mas a ciência que teoricamente deveria ser o saber último das coisas, não é último, sendo portanto, incerta. Como dizia Raul Seixas: “O que é que a ciência tem? Tem lápis de calcular. O que mais que a ciência tem? Borracha pra depois apagar”.

Mas é na política que observamos como a certeza é curiosa e prejudicial. Pergunto: vocês já notaram que em períodos eleitorais, políticos e eleitores se confundem num grande grupo. Isso acontece, porque os políticos incertos que serão eleitos, obrigatoriamente têm de se aproximar dos eleitores, para que assim, tenham a certeza que chegarão ao poder. Cessada as eleições e com a certeza que foram eleitos, os políticos se afastam, e os eleitores passam a ter a certeza que foram enganados.

No amor por fim, a única certeza que temos é que jamais podemos mostrar ao outro que o amamos incondicionalmente, o que quer dizer que, jamais podemos dar certeza ao outro. Dizer “eu te amo” é o mesmo que dizer você me conquistou, e isso é o mesmo que cavar a própria cova. Quer terminar um relacionamento? Diga que ama. Pode ter certeza que....bem...esqueça as certezas.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Dráuzio Varela e o Aborto

AOS COLEGAS de Pernambuco responsáveis pelo abortamento na menina de nove
anos, quero dar os parabéns. Nossa profissão foi criada para aliviar o
sofrimento humano; exatamente o que vocês fizeram dentro da lei ao
interromper a prenhez gemelar numa criança franzina.

Apesar da ausência de qualquer gesto de solidariedade por parte de nossas
associações, conselhos regionais ou federais, estou certo de que lhes presto
esta homenagem em nome de milhares de colegas nossos.

Não se deixem abater, é preciso entender as normas da Igreja Católica. Seu
compromisso é com a vida depois da morte. Para ela, o sofrimento é
purificador: "Chorai e gemei neste vale de lágrimas, porque vosso será o
reino dos céus", não é o que pregam?

É uma cosmovisão antagônica à da medicina. Nenhum de nós daria tal conselho
em lugar de analgésicos para alguém com cólica renal. Nosso compromisso
profissional é com a vida terrena, o deles, com a eterna. Enquanto nossos
pacientes cobram resultados concretos, os fiéis que os seguem precisam antes
morrer para ter o direito de fazê-lo.

Podemos acusar a Igreja Católica de inúmeros equívocos e de crimes contra a
humanidade, jamais de incoerência. Incoerentes são os católicos que esperam
dela atitudes incompatíveis com os princípios que a regem desde os tempos da
Inquisição.

Se os católicos consideram o embrião sagrado, já que a alma se instalaria no
instante em que o espermatozoide se esgueira entre os poros da membrana que
reveste o óvulo, como podem estranhar que um prelado reaja com agressividade
contra a interrupção de uma gravidez, ainda que a vida da mãe estuprada
corra perigo extremo?

O arcebispo de Olinda e Recife não cometeu nenhum disparate, agiu em
obediência estrita ao Código Penal do Direito Canônico: o cânon 1398
prescreve a excomunhão automática em caso de abortamento.

Por que cobrar a excomunhão do padrasto estuprador, quando os católicos
sempre silenciaram diante dos abusos sexuais contra meninos, perpetrados nos
cantos das sacristias e dos colégios religiosos? Além da transferência para
outras paróquias, qual a sanção aplicada contra os atos criminosos desses
padres que nós, ex-alunos de colégios católicos, testemunhamos?

Não há o que reclamar. A política do Vaticano é claríssima: não excomunga
estupradores.

Em nota à imprensa a respeito do episódio, afirmou Gianfranco Grieco, chefe
do Conselho do Vaticano para a Família: "A igreja não pode nunca trair sua
posição, que é a de defender a vida, da concepção até seu término natural,
mesmo diante de um drama humano tão forte, como o da violência contra uma
menina".

Por que não dizer a esse senhor que tal justificativa ofende a inteligência
humana: defender a vida da concepção até a morte? Não seja descarado, senhor
Grieco, as cadeias estão lotadas de bandidos cruéis e de assassinos da pior
espécie que contam com a complacência piedosa da instituição à qual o senhor
pertence.

Os católicos precisam ver a igreja como ela é, aferrada a sua lógica
interna, seus princípios medievais, dogmas e cânones. Embora existam
sacerdotes dignos de respeito e admiração, defensores dos anseios das
pessoas humildes com as quais convivem, a burocracia hierárquica jamais lhes
concederá voz ativa.

A esperança de que a instituição um dia adote posturas condizentes com os
apelos sociais é vã; a modernização não virá. É ingenuidade esperar por ela.

Os males que a igreja causa à sociedade em nome de Deus vão muito além da
excomunhão de médicos, medida arbitrária de impacto desprezível. O
verdadeiro perigo está em sua vocação secular para apoderar-se da maquinária
do Estado, por meio do poder intimidatório exercido sobre nossos dirigentes.

Não por acaso, no presente episódio manifestaram suas opiniões cautelosas
apenas o presidente da República e o ministro da Saúde.

Os políticos não ousam afrontar a igreja. O poder dos religiosos não é
consequência do conforto espiritual oferecido a seus rebanhos nem de
filosofias transcendentais sobre os desígnios do céu e da terra, ele deriva
da coação exercida sobre os políticos.

Quando a igreja condena a camisinha, o aborto, a pílula, as pesquisas com
células-tronco ou o divórcio, não se limita a aconselhar os católicos a
segui-la, instituição autoritária que é, mobiliza sua força política
desproporcional para impor proibições a todos nós.



Folha de São Paulo, 14/3/09, Folha Ilustrada

terça-feira, 10 de março de 2009

Porque o blog existe.

A idéia do blog surgiu em abril de 2007, quando numa aula de Tecnologia da Educação, fui informado de como ele funcionava e de como seria fácil criá-lo e mantê-lo. Como já escrevia em casa, a mão, tendo minhas idéias arquivadas em cadernos, foi interessante saber que podia tê-las digitadas, arquivadas e disponíveis para quem quisesse vê-las. Assim nasceu o blog.

Logo depois dos primeiros textos e da pequena divulgação virtual que fiz, vieram os primeiros comentários e as primeiras críticas a ele. Notei que algumas pessoas haviam criado o hábito de acessá-lo e lê-lo. Inevitavelmente, meu ego, fez-me querer escrever mais; querer escrever para mim e também para as pessoas. Mas quem seriam essas pessoas?

Para responder quem são essas pessoas, serei obrigado a dividir a espécie humana em duas classes: a classe dos intelectuais e o senso comum. Na classe dos intelectuais, estão todos aqueles que não se importam com o senso comum. Na verdade eles fingem que se importam, mas se importam mesmo é com a queda de braço epistemológica. Em outras palavras, eles se preocupam que seus conceitos sejam reconhecidos e publicados nas conceituadas revistas científicas e acadêmicas que tratam daquilo que eles estudam. Para eles o importante é a ciência, a última descoberta, o último livro, a última teoria. Para eles o senso comum está perdido e não tem mais salvação. Ele está entregue a mídia, a religião, ao futebol, as paixões em geral.

Não discordo totalmente dessa classe intelectual. Porém no senso comum ainda existem aqueles que desejam se libertar. Existem pessoas, que da mesma forma que os intelectuais, gostam de refletir sobre as mais variadas situações existenciais, mas que diferente deles, não se preocupam com reconhecimento e sim com um mundo melhor. O blog desta forma é feito para esta classe “perdida”, esquecida pela ciência e mantida pelas paixões.

Não estou dizendo que intelectuais não lêem o blog, e sim, que a maioria deles não vê sentido em ler algo que julgam já saber e que dizem não ter utilidade nenhuma. Os intelectuais que lêem o blog, são aqueles que como os muitos do senso comum acreditam na possibilidade das pessoas, através de seus raciocínios, chegarem a uma conclusão não estabelecida, mas autônoma e livre de qualquer dogma, seja científico ou religioso. Eles acreditam que o pensamento, que a reflexão diante dos fatos, ainda pode fazer as pessoas enxergarem para além das cruzes e das caixas cheias de imagens que estão por aí.

O blog foi e é feito para essas pessoas, e por isso ele é gratificante. Seu objetivo é simples: despertar o pensamento crítico naqueles, que ao observarem a existência, se sentem indignados.

Abraço a todos e ótima semana.



quinta-feira, 5 de março de 2009

Pena de morte a (Santa) Igreja.

Todos devem saber da minha luta para acabar com os hipócritas pervertidos representantes da Igreja Católica no mundo. Sei que é em vão tentar acabar com eles, afinal, como diz o ditado, vaso ruim não quebra. Mas pelo bem do mundo eles deveriam ser exterminados.
Já tentei pedir excomunhão, mas por motivos não revelados, negaram a minha pessoa a honra de não mais fazer parte desse antro de malignidade.
Não vou ficar aqui enumerando o histórico de maldades cometidos em nome da Igreja. Mas preciso relatar o acontecido.
A situação é a seguinte: um homem, provavelmente cristão católico, abusou sexualmente de sua enteada, uma menina de 9 anos. Levada ao hospital, os médicos constataram que a criança estava grávida de gêmeos e que corria risco de morte.
Os médicos diante do fato, não hesitaram, e realizaram o aborto, que é bom dizer, neste caso é legalmente permitido (o aborto é legal em caso de estupro e risco de morte). Tudo está dentro da lei do homens...mas existe a lei divina (feita por homens que em um determinado momento da história com o intuito de ganhar muito dinheiro a elaboraram enriquecendo as suas custas). Segundo as fontes: "assim que soube que o aborto havia sido consumado, o arcebispo dom José Cardoso Sobrinho disse que a Igreja Católica considera que houve um crime e um ato inaceitável para a doutrina. E decidiu: todas as pessoas que participaram do aborto, com exceção da criança, estão excomungadas da Igreja". Sim, eles excomungaram todos os envolvidos, que dentro de suas dignas funções, salvaram a inocente da morte. O pior de tudo é que a Igreja ainda se diz benevolente por poupar a criança, que por ser menor de idade, não pode ser excomungada. Leiam o que o filho da puta do arcebispo disse: "

“Para incorrer nessa penalidade eclesiástica, é preciso maioridade. A Igreja, então, é muito benévola, quer dizer, sobretudo, com os menores. Agora os adultos, quem aprovou, quem realizou esse abordo, incorreu na excomunhão. A Igreja não costuma comunicar isso. Agora, a gente espera que essa pessoa, em momentos de reflexão, não espere a hora da morte para se arrepender”, afirma.

Eu sinceramente não sei o que dizer. Sei que as pessoas continuarão a sustentar essa instituição podre chamada Igreja Católica, e nesses momentos, penso que seria bom se Deus existisse. Queria ver esses animais irracionais (com todo respeito aos animais irracionais) arderem no fogo do inferno. Queria ver esses padres, bispos, arcebispos, cardeais e até o papa serem estuprados pelo demônio. Pagariam lá na eternidade, tudo o que em vida aqui fizeram. Iria faltar lenha para tanta maldade. É uma pena que céu e inferno não existam e que quase tudo acabe depois da morte, ficam nossas cinzas né...

Uma última questão me intriga: Será que depois de eu escrever isso, me concederão a excomunhão? Ou vou ter que cometer um aborto?
Santa paciência...e pena de morte a Igreja.

Mais informações no site: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1028529-5598,00-ARCEBISPO+EXCOMUNGA+MEDICOS+E+PARENTES+DE+MENINA+QUE+FEZ+ABORTO.html



segunda-feira, 2 de março de 2009

Querer, recordar e temer.

Tenho como princípio de vida o seguinte: sofremos constantemente. Provavelmente isso se deve a minha própria existência e a observação do mundo. Em outras palavras, cheguei a essa conclusão pelo simples fato de sofrer e de observar que as pessoas sofrem. Não vejo felicidade no mundo, salvo nos carnavais e em algumas comemorações.
Anos atrás, refletindo sobre o que nos faz sofrer, conclui que sofremos por três questões básicas. Sofremos por: "querer e não ter; recordar e não ter; ou ter e temer perder."

Façamos uma análise das relações amorosas desde sua origem para entendermos isso.
Tudo começa com a observação. Observamos, conhecemos e desejamos. O simples desejo explica nossa primeira afirmação que nos diz que sofremos por: "querer e não ter." Alguns poderiam dizer que nosso sofrimento cessaria logo que o desejo fosse saciado, mas não é bem assim. Quando saciamos esse primeiro desejo, quase que simultaneamente vemos em nós nascer outro desejo: o desejo da exclusividade.
O ser humano, que num primeiro momento deseja apenas satisfazer uma vontade que vem da observação e do conhecimento do outro, logo depois de saciar tal vontade, quer que o objeto desejado seja somente seu, e mesmo depois de tê-lo possuído por inteiro, "teme por perdê-lo". Enfim ele sofre constantemente, ou por não tê-lo ou por tê-lo. O mais engraçado de tudo isso é que a conquista por completo do outro é que acaba por fazê-lo sofrer ainda mais. Afinal, onde existe complitude não existe falta, e se não existe falta , não existe desejo. É o desejo que move a existência, e não se deseja o que já se tem. É neste momento contraditório, que nasce a monotonia.
A monotonia é a repetição dos desejos passados que por outrora foram o motivo da felicidade de ambos. Em outras palavras, aquilo que uma vez fazia com que os casais mantessem o desejo um pelo outro, acaba por ficar entediante. Eles assim, sem desejos e com muita repetição acabam por decidir acabar com a relação. O distanciamento é a única saída.
É exatamente a distância que explica nossa segunda afirmação, que nos diz que sofremos por : "recordar e não ter". Afastados, lembramos dos momentos agradáveis, e de como éramos felizes. Sofremos assim por lembrar de como aquilo que agora já não possuímos nos trazia felicidade.
É exatamente essa lembrança que faz com que muitas vezes os casais se reconciliem. Eles, apoiados nas lembranças, acreditam ser possível viver todos aqueles desejos que um dia vivenciaram.
Mas isso não vem ao caso. O fato é que sofremos por : "querer e não ter, recordar e não ter ou ter e temer perder." E isso, vale lembrar, pode ser estendido as mais diversas ocasiões existenciais. Desde o desejo de amar alguém até a paixão pelo futebol.
Hoje por exemplo, "um gremista quer muito ganhar um Grenal, recorda um dia ter ganho, e teme nunca mais ganhar".
Abraço e ótima semana a todos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Taxa de Telefone

Recebi dias atrás um e-mail sobre o Projeto de Lei nº 5476/2001, relativo à cobrança da taxa básica mensal dos telefones fixos. Fui averiguar as informações, e realmente o telefone é da câmara dos deputados.

Na verdade não é uma votação e sim uma forma de pressionar os deputados a serem favoráveis ao Projeto de Lei em questão.

Assim, basta ligar para 0800-619619, e depois da mensagem digitar 1. Espere para falar com uma atendente e diga que é para votar a favor do cancelamento da taxa de telefone fixo. A Lei é a nº5476. Eles não sabem até quando vai à votação.

É preciso informar o nome completo, a cidade onde mora e o número do telefone fixo de sua residência. Entrando em vigor esta lei, você só pagará pelas ligações efetuadas, acabando com esse roubo que é a assinatura mensal.

Faça sua parte. Ligue e divulgue.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Carnaval Psicodália 2009.

Já faz tempo que não escrevo aqui no Blog. Confesso que me sinto mal por isso. Muita coisa aconteceu nos últimos dias, que me deixaram completamente confuso. Poderia até dividir com vocês tais confusões, mas não achei necessário. Às vezes é melhor calar diante das dificuldades e sair delas sozinho.
Estou indo passar o carnaval em São Martinho - SC. Dizem que é um carnaval diferente, sem funk, pagode, axé e sertanejo universitário. É um carnaval Rock n Roll.
Vamos ver como vai ser, mas pelos comentários é disso que estou precisando: pessoas diferentes e uma sonoridade agradável.
Abraço e ótimo carnaval a todos.

Para quem quiser conhecer o carnaval Psicodália em São Martinho acesse: www.psicodalia.mus.br


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O homem machão e eu.

Se existe um tipo de homem que admiro, é aquele homem machão. Por favor não me interpretem mal, não mudei minha preferência sexual.
A questão é que existem dois tipos de homem: o homem machão e o homem do século XXI.
O homem machão é aquele que não se atualizou com o tempo. Ele é autoritário e não chora nem por dor nem por amor. Ele jamais se apaixona - pelo menos não pode aparentar isso.
A mulher para ele não é um ser humano, é um depósito de esperma pronta a reproduzir. Ela se resume em cuidar e servir. Deve cuidar dos filhos, da cozinha, das roupas sujas, do chão, da casa em geral, e deve servir o marido. Servir mesmo. Servir a comida e servir como comida. De tão machista, o homem machão acha que come a mulher, quando na verdade é comido. O que mais me faz admirar este homem, não é essa sua brutalidade e sim como ele encara um final de relação. É lógico que ele também possui sentimentos e sofre com eles, afinal dizem que ele também é humano...mas... por ser machão ele jamais admite isso.
Acabou o relacionamento? Ele já está com outra mulher ( geralmente horrível), e se acaso a sua ex estiver com outro, ele vai lá e arrebenta a cara...do outro ( provavelmente um homem do novo milênio) que nem sabe porque apanha. Sua ex que naquele momento grita e esperneia dizendo "não faça isso", na verdade fica lisonjeada. Ela no fundo pensa: "como ele me ama."
Eu sou o contrário desse homem. Na verdade estou em processo de transformação. Tenho minhas raízes do homem machão mas minha racionalidade me fez rever os conceitos e me ensinou a respeitar as diferenças. Sou do milênio passado, mas vivo no novo milênio.
A maior diferença entre o homem machão e eu, é o diálogo. Enquanto ele manda, eu converso. Minha maior fortaleza é o diálogo, e, embora tenha sérias dificuldades de me apaixonar, me apaixono e choro quando necessito, igual a um homem do século XXI e uma bicha no milênio passado.
Sei que todas as mulheres que lerem este texto vão dizer que procuram um homem como eu, salvo as que forem sinceras. As sinceras sabem do que gostam e por motivos desconhecidos ela gostam de sofrer. Eu não sirvo para as mulheres em geral. Eu converso, me apaixono e não bato em ninguém, salvo nas mulheres que me solicitam um "carinho mais bruto" na hora do sexo.
No fim, acho que só tenho duas saídas: me tornar um machão ou encontrar uma super mulher....uma mulher do novo milênio.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O desejo, o apego e o desapego.

Estou em fase de desapego. Isso mesmo desapego. O desapego funciona mais ou menos assim: Primeiro você deseja algo e vai em busca da realização. Daí, depois de realizar o desejo e se a experiência for satisfatória, legal, apaixonante, você se apega aquilo que num primeiro momento apenas desejava. Até aí tudo bem, afinal é interessante estar apaixonado, olhar no espelho e ver seus olhos brilharem ao mesmo tempo que enxerga sua cara de bobo por de trás dos olhos apaixonados. O grande problema assim não está no desejo, e sim, no apego. Afinal necessitamos desejar algo para viver. Uma vida sem desejo é uma vida sem sentido e é aí que as coisas começam a complicar, pois o tempo passa e leva junto nosso objeto de desejo. Nada é para sempre, e dentro disso, para não sofrermos demasiadamente com a perda, é necessário nos desapegarmos. Assim as coisas funcionam mais ou menos desse jeito: do desejo nasce o apego que inevitavelmente nos faz uma hora ou outra perder aquilo que gostamos de ter, nos levando assim ao inevitável sofrimento.
Não existe nada eterno, a não ser a história e a matéria. A história é o que fica depois que tudo passa; e a matéria é aquilo que se transforma e que se mantém, mesmo sem vida alguma. Em ambos os casos, o sofrimento pela perda se dá através da memória, da lembrança. Só sofremos porque lembramos, ou seja, quanto mais memória, mais apego ao passado e mais sofrimento no presente. Existem pessoas que são peritas em se desapegar. E considero elas geniais por isso. Morreu morreu, acabou acabou. É assim que encaram a existência é é realmente assim que devemos encara-la. Conseguir viver o presente, esquecer o passado e construir o futuro naturalmente é uma das tarefas mais árduas para o ser humano.
Enfim, estou nessa fase de desapego. Preciso me desapegar de um apego que veio do meu desejo de um dia ser feliz, sendo que agora sofro em ter de me desapegar. Incrível né? Para ser feliz não posso recordar que fui feliz, assim por mais contraditório que possa parecer, meu maior desejo é não lembrar que eu desejo. Eta vidinha.

Aos ofendidos.

Chegou até os meus ouvidos, que no “Programa da Paróquia”, do dia 17 de janeiro de 2009 na Rádio Ametista, que o padre Nelcir Chies, se pronunciou de forma ofensiva diante da minha pessoa. O motivo segundo aqueles que foram ouvintes do programa é que meu texto publicado no Jornal Ametista do mesmo dia, teria sido ofensivo. Não consegui escutar o que supostamente o padre falou, afinal deixei o tempo para solicitar a gravação expirar. Desta forma não sei nem “o que” e nem o “porque” o padre se referiu ao texto. Inclusive quero aproveitar, para pedir, que se alguém gravou o programa, que gentilmente cedesse a gravação para que a verdade fosse esclarecida.

Quem fez com certeza absoluta referência ao texto, porém respeitosamente não citando meu nome, foi o vereador Dirceu Fontana - PP. Disse ele, em suas considerações pessoais, na Sessão da Câmara do último dia 20 de janeiro, que o texto era "calunioso, injurioso e ofensivo a toda uma comunidade." O que me admira no pronunciamento do nobre vereador, é que ele não justificou suas palavras. Ele não fez, na câmara, a leitura do texto. Se tivesse feito e apontado “as calúnias, ofensas e injúrias” presentes nas minhas palavras, justificaria ele automaticamente seu discurso, além de possibilitar aos ouvintes que não leram o texto, tirarem as suas próprias conclusões.

Não deveria ter o trabalho de vir aqui justificar meu próprio texto, ele já está justificado. Porém, diante das afirmações do vereador e das supostas declarações do padre Nelcir, é uma obrigação minha vir aqui defende-lo. Para isso reli o texto e tentei encontrar as possíveis ofensas.

Acredito que possa ter ofendido algumas pessoas o fato de eu ter falado do meu espanto e da consequente decepção, ao relatar, que num Estado Laico – art 19. CF - ainda se faz uso do Pai-Nosso. Não tenho nada contra o Pai-Nosso, e respeito a religiosidade de cada um, mas a câmara é um local de racionalidade e não de fé. Se o objetivo da oração é começar a sessão em paz de espírito, proponho que seja feito “o minuto da reflexão”. Nesse minuto, cada um, na sua forma de orar, poderia se religar com aquilo que acha necessário.

Não acredito que possa ter ofendido os vereadores e toda uma comunidade o fato de eu ter comparado a primeira sessão com uma missa. Afinal, somente digo isso, depois de ter presenciado a apreciação do projeto de Lei nº 001/2009, onde os vereadores não discutiram a respeito. Eles não disseram “o porque” eram favoráveis ou contra o projeto, salvo o vereador Valdir Petkowicz - PTB, que em suas considerações pessoais, muito bem justificou a sua posição.Por sinal, é importante ressaltar, que a segunda sessão câmara nada se pareceu com um missa. Vários vereadores defenderam suas posições demonstrando grande interesse pelos assuntos da comunidade.

Provavelmente o que pode ter ofendido alguns foi o fato de dizer que "o povo não tem voz na casa do povo." Ora, apenas digo isso por dois motivos: o primeiro motivo se deve ao fato de não ter observado um debate sobre o projeto votado naquela noite e o segundo porque “esperava” que houvesse um momento para os cidadãos que estão ali prestigiando “ao vivo” a sessão se pronunciarem. Não tinha conhecimento - e aqui devo minhas desculpas - que o regimento interno da Câmara não possibilita isso, salvo mediante inscrição até às 12:00 horas de segunda-feira e posterior aprovação da Comissão Permanente de Pareceres.

Creio que devem ter sido essas as principais questões tratadas no texto e que podem terem ofendido algumas pessoas, e a essas, espero que agora, esteja claro que não foi essa a minha intenção. No entanto, antes de dar fim as minhas palavras, é importante frisar que em momento algum o texto é calunioso e injurioso. Nele existe uma impressão, uma percepção de algo visto e por mim analisado. Seria de muita importância inclusive, que todos fossem assistir as “Sessões na Câmara” e tirassem as próprias conclusões. A próxima será dia 03 de fevereiro. E aí vamos lá?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Procura-se

Admito. Mesmo quando o assunto é relacionamento, sempre fui um sonhador. Sempre idealizei e procurei, que minha mulher fosse uma beldade inteligente, alguém que fizesse a diferença física e psicológica, que fosse um prazer estar a todo momento ao seu lado. Confesso que já consegui isso algumas vezes.
Muitas vezes encontrei somente beleza, outras somente inteligência. Com as só beldades, tudo acabou com algums noites de sexo. Com as geniais, tudo acabou por eu não conseguir acordar de manhã e encontrar no físico da mulher intelectual qualquer semelhança com a sua maravilhosa intelectualidade. Na verdade sou bem chato para me apaixonar, mas quando me apaixono...sou mais chato ainda. Quando apaixonado viro um verdadeiro servo. Vivo a pensar na minha amada como se tudo estivesse a ponto de explodir, de acabar. A última vez que havia me relacionado com uma uma mulher perfeita, ou seja, com uma beldade inteligente, havia sido no início do milênio. Após o término com a bendita, que acredito ter ocorrido por excesso de posse de ambos os lados, nunca mais a perfeição havia batido a minha porta. Mas como disse, nunca mais "havia", pois novamente aquilo que eu já dava como impossível, veio a ocorrer. A perfeição, como chamo, veio novamente ao meu encontro. Meu entorpecimento por ela, como não podia deixar de ser, foi imediato.
"Minha nossa", pensei eu. Será que viverei tudo aquilo de novo? O sentimento, a vontade, o amor encobrindo minha madura racionalidade. Claro que não acreditei que aquilo estava acontecendo. Porém estava. Tudo muito perfeito.
Ela era extremamente linda e inteligente. Claro que como toda mulher linda, tinha seus defeitos. Se achava às vezes feia. Na verdade acredito que jamais se achou assim, sendo que isso só ocorria porque necessitava alimentar seu ego.
E assim me apaixonei novamente. Éramos extremamente compatíveis. Nossos beijos....aaaaaaaaa....nossos beijos...impossível descrevê-los, triste de lembrá-los. Nunca magoamos um ao outro. Os críticos dizem que foi porque ficamos pouco tempo juntos. Eu rebato dizendo que foram eles que não encontraram a mulher perfeita. Ela era perfeita. Só havia um probleminha entre nós. Na verdade não um probleminha e muito menos entre nós. Havia um problemão e era entre ela e sua família. Eles tinham resistência com a nossa relação. Os motivos eram dos mais variados, porém nunca foram verdadeiramente esclarecidos. Por fim, terminamos por isso: ela era bela, inteligente e perfeita...se não fosse a resistência.
Nos separamos pela resistência. Deixamos as lágrimas rolar por muito tempo antes do fim. Nem mesmo sei se houve o fim. Não acredito que algo pode acabar assim, por vontade externa e não própria.
Mas de agora em diante prometi parar de idealizar e de sonhar. As coisas vão mudar. Quero me apaixonar por uma mulher
feia, burra, velha e rica, que goste de ser maltratada e enganada. Feia para nunca mais sentir aquela insegurança habitual. Burra para eu poder dizer que a amo sem nunca ela notar que é uma grande mentira. E velha e rica para que eu possa garantir minha aposentadoria.
Assim, depois que essa maldita escrota morrer e eu garantir minha boa aposentadoria, posso ir atrás da minha beldade perfeita e com o dinheiro da outra, mas com ela, percorrer do Pólo Norte a Antartida...dando uma paradinha para vender milho na praia...não é lindo?
Abraço a todos e ótima semana.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O cri-cri.

Sou cri-cri. Sim sim sou mesmo. Sou chato, questionador, cri-cri como chamam. Não sei exatamente de onde vem essa minha "cri-criragem", mas desconfio que seja de família mesmo. Meus pais desde que me reconheço por gente, ou seja, que tive consciência de mim mesmo ou consciência de estar vivo, me ensinaram que não é porque "todo mundo" pensa assim, que devo ser assim. Provavelmente foi por ter esse princípio básico da dúvida diante das certezas socialmente impostas, que comecei a duvidar do capitalismo e da política em geral. Minha "cri-criragem" me fez perceber que tudo é um grande jogo, um circo montado para que alguns poucos explorem muitos e as coisas assim funcionem "harmonicamente".
Nunca esqueço o dia em que me foi apresentado o comunismo. Confesso que voltei para casa apavorado e confuso, afinal, aquele sistema que ouvia dizer pelos becos que comia criancinhas e tirava das pessoas as suas propriedades, na verdade era uma forma tão bela de existência, que de tão bela era impossível de ser vivida por seres tão horripilantes como nós. Foi por essas pequenas certezas, que me tornei um cri-cri de carteirinha.
Ser cri-cri não é ter opinião e sim ter ideia. É ter argumentos plausíveis para defender uma causa, enfim, é gratificante.
Porém também tem seus contras. Já tive meu nome louvado por centenas de pessoas ao defender um movimento político, como também já senti na pele o preconceito por ser tão questionador, complicador, ou seja, cri-cri.
O mais interessante ainda de ser cri-cri, é o fato de estar num constante aprendizado. A "cri-criragem" me ensinou a não afirmar, logo de cara que Deus não existe, ou que a política é suja. Ela me ensinou a perguntar de que Deus se está falando e de que política se irá falar.
Enfim, embora odiado por muitos exploradores que querem que as coisas fiquem como são, ser cri-cri é maravilhoso. Ser cri-cri é como pedestre no calçamento. É ter de andar na contra-mão para não ser atropelado por aqueles que tem como objetivo de vida o atropelamento.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Reforma Ortográfica

Sempre fui a favor da reforma ortográfica. Uma reforma que unificasse os "porquês", e fizessem do porque, apenas "pq". Que terminasse com o "h mudo" - nunca entendi a serventia de um mudo para a escrita e muito menos para a fala - , e que o "x" tivesse som somente de "x", logicamente abolindo o "ch".
Sou a favor de uma reforma que deixasse o "s" com som de "s" sem nunca ter o som de "z". Que extinguisse o cedilha e também o "c". Afinal para que serve o "c"? Temos o "k" que substitui o "ca-co-cu", e de novo o "s" que substitui o "ce-ci". Sem falar no "que" e no "qui" que também podem ser substituídos pelo "k". Tudo ficaria lógico e fácil.
E o hífen? Se a linguagem serve para nos comunicarmos e para nos entendermos, para que serve o hífen? Tem diferença no significado da palavra se escrever com ou sem hífen? Não muda nada.
Às vezes ouso pensar que mudam as regras com o intuito de que a "linguagem academicamante perfeita" seja mérito de poucos. Seja mérito somente dos dragões imortais da Academia Brasileira de Letras.
Em 2009 mudaram algumas regras que dizem ter como objetivo unificar os países que falam a língua portuguesa em torno de um só português, temos até 2010 para nos adaptarmos. O objetivo da reforma é interessante, lógico e necessário em tempos de globalização. Porém, nas mudanças ocorridas, a única que vai facilitar um pouco a vida da população em geral, é o fim da trema. "Lingüiça" agora é "linguiça", cinqüenta é cinquenta, e conseqüente é consequente. Na minha reforma, linguiça se tornaria linguisa, cinquenta seria sinkuenta e consequente seria konsekuente. Fácil e lógico não?