sexta-feira, 30 de julho de 2010

Quem sabe agora proibam o batismo.

BBC

28/07/2010 10h56 - Atualizado em 30/07/2010 10h07

Bebê morre após ser submerso três vezes durante batismo


Criança teve água nos pulmões e morreu a caminho do hospital em Chisinau, na Moldávia; padre é acusado de homicídio culposo.


Um padre da Moldávia está sendo investigado pela morte de um bebê que se afogou após ter sido submergido três vezes durante a cerimônia de batismo.

Familiares acusam o padre, Valentin Taralunga, da Igreja Católica Orotodoxa, de negligência ao prosseguir com a cerimônia apesar dos sinais de que a criança, de um ano e meio, estava se afogando na pia batismal.

Médicos da capital moldávia, Chisinau, diagnosticaram que o bebê morreu por afogamento. O padre está sendo investigado por homicídio culposo, punível com até três anos de prisão.

Ao prestar depoimento, o padre Taralunga negou as acusações e disse que obedeceu aos cânones religiosos que ensinam sobre a cerimônia de batismo.

A família repassou à polícia um vídeo amador do momento em que o religioso submerge a criança na água. O conteúdo do vídeo foi divulgado pelas TVs locais.

Entretanto, os investigadores que trabalham no caso disseram a uma delas, a Publika TV, que ainda é cedo para chegar a uma conclusão.

Na cerimônia católica ortodoxa, os padres tampam o nariz e a boca das crianças durante os curtos instantes em que elas são submergidas na água benta.

Um porta-voz da Igreja disse não recordar de semelhante episódio na história religiosa do país.

Logo após a imersão na água, o bebê é visto com dificuldades de respirar. Segundo testemunhas, minutos depois a criança começou a espumar pela boca e sangrar pelo nariz.

Levado para ser socorrido, o bebê morreu a caminho do hospital. O diagnóstico da morte foi ocorrência de água nos pulmões.

A resposta de Lírio.

Antes de mais nada preciso pedir desculpas a todos vocês que aguardam ansiosos pela resposta de Lírio. Como sabemos havia-a prometido para quarta-feira, porém, maravilhosos, formidáveis e impagáveis imprevistos acometeram minha existência nos últimos dois dias, me impossibilitando a publicação desta. Mas, como diz o ditado, "antes tarde do que nunca", e aí então vai a resposta do cristão Lírio. Segunda-feira, se tudo ocorrer dentro do previsto, a réplica do Ale.



SR. ALEXSANDER: Acho que não o conheço, se não poderíamos nos entreter num chat amistoso. Peço perdão se ofendo seus princípios, mas se Deus respeita a liberdade, quanto mais eu! A respeito do 'fanáticos religisosos'... depende da metalinguagem. Se sou radical? Sou, aliás está na Bíblia: "Se não fores nem frio, nem quente, Eu te vomitarei". Sou colorado empedernido, mas veja, meu irmão é cônsul do Grêmio... Meu primo é pastor batista. Minha filha casou com um muçulmano iraniano. E nos entendemos perfeitamente. Às vezes, o não-fanatismo é fruto da ignorância. Sócrates, o pai da filosofia, afirmou que o homem pratica o mal por total ignorância, e quando pensa que 'aquele Mal, para ele é o bem'. Verbi gratia: o assassino mata porque entende que a vítima é um estorvo, um perigo, um adversário para ele...

'O HOMEM É NATURALMENTE CRISTÃO' - Em filosofia, estuda-se uma tese: "Anima naturaliter christiana". VEJA que o termo cristão não signf ica especificamente católico, mas sim RELIGIOSO! Desde os primórdios da Humanidade, nenhum povo, nehuma raça, em nehum estágio ou local abstraiu Deus. Lógico que o Deus deles, muitas vezes era até um animal, ou um astro, ou um elemento. Mas sempre o homem se reportou a Uma Força, Um Ser SUPERIOR, do qual ele dependia e que o criara e mantinha.

Se não me equivoco deve ter sido o filósofo ateu Rousseau. Dizia: dêem-me uma criança, desde o leite materno, para eu criá-la e duvido que terá sentimentos religiosos. Assim foi feito. Adotou um menor, que ele educou à sua maneira, longe de tudo o que cheirasse a Religião, aprisionado na sua residência. Qual não foi o seu espanto, quando um dia, entra no quanto do menor e o encontra, de joelhos, bendizendo ao Deus-Sol, que entrava pelas frestas da janela. A maior prova da existência de Deus, está no interior do Ser Humano. Ou de onde fluiriam os sentimentos de Justiça, Bondade, Beleza, Amor do coração humano? Daí, o 'naturalmente religioso'.

Muitas pessoas (aconteceu com Ghandi, quando esteve em Londres) se decepcionaram com a Religião, ou com o Cristianismo, Judaismo, Islamismo, quando percebem que os 'cristãos' não vivem o que pregam. Falta coerência! Bem, mas aí é outro compartimento. Ninguém condenará o Ensino, porque o professor é relapso ou o aluno cola. Ninguém condenará a Democracia, porque o politico é canalha. Etc, etc.

No fundo, a Religião depende de FÉ. E fé é um dom, uma graça, um lampejo que o cidadão recebe. Às vezes, ele está oculto num exemplo, num livro, numa frase, num fato, numa educação, numa família, num colega. Quantos se 'coverteram' até ouvindo uma piada. Bocage, o maior piadista português, passou a vida ridicularizando a Religião. Convertido, na hora da morte produziu aquele imortal soneto que assim se fecha: "Saiba morrer, quem viver não soube..."

É interessante deter-se na frase do filósofo De Maistre, que não era católico: "Ninguém afirma 'Deus não existe', sem antes ter desejado que Ele não exista"... Mas, meu caríssimo Alexsander: sinto-me lisonjeado pela leitura das minhas despretenciosas colunas. Se realmente, pretende mergulhar em leituras teológicas, poderia indicar alguma bibliografia. Lamentavelmente, nosso povo, e especialente nosso povo cristão, não lê. É analfa em assuntos religiosos. Não que eu seja entendido... apenas me defendo. Gostaria muito de ter tido curso de Teologia. Nosso Rui Barbosa possuía biblioteca própria com 35 mil volumes. E nós?! Que Deus (naturalmente) o proteja. Grato. Lirio


terça-feira, 27 de julho de 2010

A pergunta do Ale

Confesso que pensei em criticá-lo pontualmente, mas desisti. Acho complicado discutir com fanáticos religiosos. Eles são perigosos. Assim, preferi apenas fazer uma pergunta.


O senhor diz, em sua coluna publicada no dia 26/06/2010 no Jornal Alto Uruguai e intitulada como 1º) Será que Deus existe?!”, que o homem é naturalmente cristão. Poderia me dizer por quê? Att, Alexsander de Vargas.


Amanhã, a resposta de Lírio.



Série Ale e Lírio

Não sei se vou ferir a moral, a ética ou alguma outra coisa que eu não saiba o que significa. A questão é que essa semana vou reproduzir aqui no Blog uma conversa que tive (via e-mail) com o senhor Lírio Zanchett.


Lírio é colunista do Jornal Alto Uruguai, e a partir do dia 26/06/2010, publicou um série de escritos no jornal frederiquense, com o título “Será que Deus existe?” (Para quem quiser conferir acesse: www.oaltouruguai.com.br)


Como Zanchett, aborda delicados temas como ateísmo, religião e filosofia, decidi questioná-lo. Lírio tentou me responder, mas encerrou o diálogo no terceiro e-mail. Porque fez isso? Confira essa semana só aqui no Blog do Ale.



sexta-feira, 23 de julho de 2010

Burro ou louco?

Duas coisas ficaram claras no jogo do Inter contra o Atlético Mineiro: a primeira que Roth deu outra cara ao time. E a segunda, que ele continua o mesmo.

Roth é uma incógnita. Ninguém sabe se é burro ou louco. Ele entra para ganhar e mexe para perder.

No jogo contra o Galo Mineiro, eram 28 minutos do segundo tempo, quando Celso Roth sacou Tinga e colocou Wilson Mathias. Ele tinha Andrezinho no banco, mas preferiu um volante a um armador. Preferiu a loucura ao encantamento.


Roth podia continuar com o Inter a frente, marcando o adversário em seu campo, e criando oportunidades de gol. Podia continuar enchendo os olhos do torcedor e calando todos seus críticos. Mas não. Roth preferiu um filme de terror a um conto de fadas. Preferiu, do alto de sua insana inteligência chamar o empate do que garantir tranquilamente os três pontos.

O Inter de Roth pós 28 minutos, retrancado e acuado com três volantes, fez de tudo para empatar. Tentou, perseguiu e quase conseguiu. Felizmente não obteve êxito. Pato salvou. Deu tudo errado para o insano Roth, e deu tudo certo ao burro do Celso.

Burro ou louco? Decidam vocês. Eu só espero que ele continue 100%.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

A Menina da Copa

A Copa terminou, a Espanha ficou com o caneco, e nós ficamos com as imagens. São apenas as imagens que ficam guardadas na memória. Tanto na memória do povo, como na dos arquivos televisivos.


Daqui a alguns anos, muitos se lembrarão de Soares do Uruguai, do seu choro de tristeza antes da cobrança do pênalti, e de sua alegria após a cobrança no travessão; outros se lembrarão da falta de respeito de Domenech quando Parreira lhe estendeu a mão; e outros ainda lembrarão-se do primeiro tempo que o Brasil deixou de matar, e do segundo em que foi assassinado pela Holanda.


Eu provavelmente me lembrarei de tudo isso, mas para mim, a imagem da Copa se fez longe das quatro linhas. Longe de qualquer jogador, técnico ou celebridade presente na África do Sul. Para mim a imagem da Copa é de uma menina negra. Mais precisamente da menina que conduziu a Taça de Ouro da FIFA até as mãos de Joseph Blatter, representante maior da entidade. O que a menina fez? Nada demais.


A negra menina apenas fez seu trabalho que era o de levar a Taça até seu destino. Ela não tropeçou, não deixou a taça cair e muito menos encheu os olhos de lágrimas. Ela que naquele momento era o centro dos holofotes mundiais, passaria despercebida também para mim, caso não estivesse vestindo em suas mãos...belas luvas brancas.


Não tenho nada contra as luvas, afinal fazia frio na África do Sul, mas pergunto: porque luvas brancas? Para simbolizar pureza e paz? Ou seria para garantir que suas negras digitais não viessem marcar o troféu tão precioso? Mas neste caso: as luvas não poderiam ser pretas combinando com a cor da menina e com a do próprio continente de maioria negra? Ou seria apenas um desejo inconsciente de dizer ao mundo que ainda é só o branco que pode o ouro tocar?


A menina não se importou com o fato. Pior que isso: ela nem percebeu. Ela já está acostumada com isso. Nós todos estamos acostumados. A menina não falou nada. Ninguém falou nada. Foram suas luvas brancas que gritaram silenciosamente ao mundo que o discurso do respeito à diferença não passou mais uma vez de um mero discurso. Foram suas luvas que levaram ao inconsciente de cada um a única e cruel verdade: a verdade do racismo.


Somos racistas e assim continuaremos a ser, enquanto não acharmos anormais algumas práticas históricas. São elas que atingem nosso inconsciente e nos amarram no preconceito natural.


Nos dizemos uma nação laica, mas ainda vemos em nossa moeda nacional a inscrição “Deus seja louvado”. Pregamos o respeito às diferenças, mas ainda olhamos com olhos impuros os índios, negros e homossexuais. Discursamos pedindo conscientização, mas no fim caímos em nossas próprias armadilhas culturais.


Procurei fotos da menina negra de luvas brancas. Não achei. Seus passos e suas mãos cobertas de branco, foram tão insignificantes ao mundo consciente, quanto o belo espetáculo e os belos discursos anti-racistas elaborados pelos donos do milionário futebol.


Cada um ficará com suas imagens. A Espanha ficou com a taça, os brancos donos do futebol com o lucro e os negros....bem, esses continuarão na miséria. Faz parte do jogo: enquanto os negros braços trabalham os dedos brancos contam o dindin.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Coincidências? Hummmmmmmmmm...

A Espanha vai ser campeã. Não, não estou dizendo isso só porque o polvo alemão "afirmou". Falo isso por um outro motivo. Quem me desejou "feliz ano novo" na virada do dia 31 sabe do que digo.

Eu sabia que Brasil, Alemanha e Argentina cairiam antes da final. Sobre o Brasil até comentei aqui no blog. Sabia também que o Grêmio seria Campeão Gaúcho esse ano, e agora, com polvo ou sem polvo, digo a vocês: a Espanha vai ser Campeã. Os deuses do futebol me disseram isso.

Vou explicar:

No futebol 2010 repetirá 2006. Com algumas poucas diferenças claro.
A questão é o eterno retorno. Não o do Nietzsche, o do futebol mesmo. Será quase tudo igual.

Sugiro começarmos por partes e retrocedermos um pouco no tempo para compreendermos. Para entendermos temos de voltar até 2005 e fazer algums ligações entre o que se desencadeou a partir daquele ano.

Como sabemos, depois de 2005 vem 2006, e como também sabemos, 2006 foi um ano marcante para o futebol.

Não sou eu que digo isso: os números nos dizem. A soma de 2005 (2+0+0+5) é igual a sete, e o sete significa mistério na numerologia. Porque significa mistério para mim é um mistério, então não me perguntem para decifrar esse mistério. Já 2006, que na soma dá oito, não sei o que significa, mas pode ser que o oito esteja relacionado ao número da camisa de Dunga como jogador. Dunga que foi volante do Internacional, que por sua vez conquistou o mundo em 2006. Nada a ver né? Pois é. Futebol é assim mesmo, nada a ver.

Voltando as coincidências entre 2005, 2006, 2009 e 2010, sabemos que em 2005 o Colorado foi garfeado pela CBF e teve de se contentar em ser vice campeão brasileiro. Também sabemos que em 2009 o Inter não foi roubado pela CBF, mas teve de ver seu rival, entregar o jogo para o Flamengo (o que para muitos pode ser considerado pior que um roubo), ficando também com o vice campeonato brasileiro. Foram essas injustiças, tanto em 2005 como em 2009, que promoveram uma virada histórica no futebol e que garantiram que 2006 se repetisse em 2010.

Querem ver as coincidências? Certo, vou apenas perguntar a vocês. Vocês mesmos por favor respondam e notem o que está acontecendo.

Pergunto:

Quem foi o Campeão Gaúcho de 2006?

E em 2010?

Hummm....

Em 2006, onde o Inter perdeu a final do Gauchão?

E em 2010?

Hummm...

E mais: quantos gols faltaram (tanto em 2006 como em 2010) para o Inter ser Campeão Gaúcho?

Hummm...

Agora saindo do âmbito estadual direto para a Copa do Mundo da África.

Em que fase o Brasil foi eliminado na Copa da Alemanha em 2006?

E em 2010?

Hummm...

Em em 2006 o Brasil perdeu para quem?

Era uma seleção européia ou outra qualquer?

E em 2010?

Humm...

E mais: por quantos gols de diferença a seleção perdeu ambas partidas?

Hummm...

Mas vamos mais a fundo. Vamos analisar algumas outras seleções.

Pergunto:

Em que fase a Argentina foi eliminada em 2006?

E foi derrotada por quem?

E em 2010?

Hummmm...

E a Alemanha? Caiu em que fase em 2006?

E em 2010?

Hummmmm...

Por fim, e para responder por que a Espanha vai ser Campeã do Mundo, pergunto:

Não foi da Alemanha, que a Itália venceu em 2006 antes de conquistar o inédito Tetracampeonato Mundial em cima da França?

Hummmmmm...

Querem mais? Olhem para a bandeira da França. Não é parecida com a da...Holanda?


Hummmmmmm...

Viram? Tá tudo se repetindo, podem apostar: Espanha é Campeã do Mundo. E não adianta dizer que foi o polvo, ou o melhor futebol espanhol que venceu. São os deuses do futebol e pronto. Eles querem que 2010 repita 2006, só isso. Por fim uma última pergunta:

Vocês sabem me dizer quem foi Campeão da Libertadores da América e do Mundial FIFA em 2006?

Hummmmmmmm...só prá saber : )





sexta-feira, 2 de julho de 2010

Espero estar errado, mas....

Daqui a pouco tem jogo do Brasil, e com quem converso, a maioria me diz que o Brasil passa pela Holanda. Alguns dizem que até com facilidade. Eu sinceramente não entendo. Já perdemos para a Holanda. Mais que isso. Perdemos tantas vezes quanto ganhamos e empatamos.


Em jogos de Copa do Mundo o resultado é igual: vencemos, empatamos e perdemos uma vez. Nos três confrontos, marcamos cinco e levamos seis gols. Temos saldo - 1 em gols e + 1 em classificações. Isso porque no empate em 98, vencemos nos pênaltis.


É lógico que vou torcer pelo Brasil. Quero Brasil e Argentina na final. Quero muito ver a Globo engolir o Dunga. Também quero ver Dunga e Maradona chorando. Um de alegria, o outro de tristeza. Porém, lamento informar a vocês: não vai dar. Vamos perder: um a zero. Não me perguntem porque. É palpite, achismo.


Poderia até vir aqui e dar uma resposta racional a vocês, dizer que o time da Holanda é bom, e que em alguns pontos é até mais forte que o nosso. Mas o problema não é a Holanda. Qualquer outra seleção que viesse a enfrentar o Brasil nas quartas, sairia vencedora. Até a Eslováquia. Podem acreditar, to dizendo. Até já apostei. Apostei um enorme pacote de salgadinho. Apostei baixo para não ter de secar sabe? Como disse vou torcer pelo Brasil, mas...não vai ter jeito.


Se der certo, ou seja, se der tudo errado para a seleção, prometo: vou abrir uma Igreja. Ela será a única a garantir 33% de chances de sucesso por jogo e que cobrará dízimos a míseros 5%.

Temos até nome e slogan: IGREJA UNIVERSAL DO REINO DA BOLA – SUA IGREJA SUA VITÓRIA

Será um sucesso.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Por que, porque, por que.

Não adianta. Posso dar voltas e mais voltas no mundo do conhecimento. Posso me submeter ao árduo exercício de tentar me colocar no lugar do outro, e mais que isso, de tentar exercer essa alteridade em outra época e em outro lugar. Posso até tentar voltar no passado e imaginar o porquê daquilo tudo ter acontecido. Porém, mesmo fazendo esse exercício e muitas vezes conseguindo parcialmente, mesmo assim, não adianta. Sou radical. Dou voltas, retrocedo, procedo, e sempre acabo diante do mesmo problema. Um problema anterior a todos os outros. Um problema que embora aparentemente sem muita relevância (vocês podem dizer), é o maior empecilho, o maior obstáculo para que possamos chegar mais perto daquilo que tanto (pelo menos discursivamente) queremos. Enfim, nosso problema é religioso e nosso almejo é a humanidade.


A religião foi o único problema que a humanidade jamais tentou resolver. Desde Constantino é que ela domina a sociedade. E mesmo depois que suas verdades divinas foram arruinadas pela física moderna, mesmo assim, ela jamais deixou de exercer seu poder. Jamais deixou de manipular o inconsciente da humanidade. Sua moral ainda prevalece por isso, e a sociedade ainda prevalece e ainda prevalecerá preconceituosa. Indiferente frente à diferença.


Não. Não falo da mal da religião em seu sentido mais profundo. Somos religiosos e filósofos por natureza. Buscamos conhecer e buscar harmonia com o universo. O inimigo da humanidade jamais será a religião. Nosso foco jamais será o desejo e a forma que cada um de nós faz para se “religar” com o universo. Nosso inimigo central assim, não recai sobre a liberdade religiosa que cada um deve exercer, mas sim sobre as instituições religiosas. São elas que se dizem donas da verdade. São elas que se preocupam desde cedo a impor, a incutir o que é o humano, e são elas que espantosamente ainda recebem nosso aval.


O discurso acadêmico é bonito. Mas é só discurso. Fala de humanismo, respeito à diversidade, e outras coisas mais. Balela. Não se pode falar de humanismo e respeito à diversidade, se continuarmos achando normal o batismo, a primeira comunhão, a crisma e todos rituais religiosos. Não se pode falar de humanismo enquanto nas repartições públicas, ainda houver símbolos religiosos, e em nossas creches ainda mantenham como introdução as orações. Por quê? Porque orar eu pergunto? E se ali estiverem filhos de muçulmanos? Filhos de ateus? Deverão eles ser excluídos? Ou pior, deverão forçá-los a participar do ritual? Não, não se pode acreditar que queremos desenvolver o humanismo aceitando que esses criminosos rituais sobre o inconsciente de nossas crianças ainda devam nos pertencer culturalmente. O que fazer com as instituições religiosas? O mesmo que deve ser feito com todos os tipos de drogas. Liberá-las apenas para maiores de 18 anos.


Querem humanismo e respeito. Correto? Unam aquilo que jamais deveria ter sido separado. Reúnam filosofia e religião. A filosofia é a única religião possível. E aqui não falo para cairmos na cilada filosófica dos conceitos, mas sim ao conhecimento desinteressado pela verdade das coisas. Por que, porque, por que. É isso que devemos constantemente nos perguntar. Porque sou diferente. Porque penso assim. Porque sou pobre, porque sou rico, porque quero isso, porque quero aquilo. Porque não gosto ou porque gosto. Por que, porque, por que. É isso que devemos nos perguntar. Não para chegarmos às respostas, mas para nos envolvermos com a diferença. É assim que uma nova humanidade pode ser construída.


Como afirma Saramago, que dizia não ser um ateu por completo pelo fato de estar sempre procurando Deus (aí seu caráter religioso): “Aceitemos então que estamos sozinhos e, a partir daí, façamos a nova descoberta de que estamos acompanhados – uns pelos outros. Quando pusermos os olhos no céu estrelado, com a furiosa vontade de lá chegar, mesmo que seja para encontrar o que não é para nós, mesmo que tenhamos de resignar-nos à humilde certeza de que, em muitos casos, uma vida não bastará para fazer a viagem – quando pusermos os olhos no céu, repito, não esqueçamos que os pés assentam na terra e que é sobre esta terra que o destino do homem (esse nó misterioso que queremos desatar) tem de cumprir-se. Por uma simples questão de humanidade”.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Plin PLin: "Mãe to na Globo".

Não bastassem alguns religiosos e alguns políticos que não entendem minhas palavras contra as instituições religiosas e a política, chegou a vez dos colorados não entenderem meus conselhos ao Celso Roth.


Sim, escrevi uma carta para o Celso. Uma carta irônica, do meu jeito. Cheia de verdades e ironias. Cheia de sentimento e razão. Uma carta que apenas queria dizer ao Roth, que sua função é a de unir o grupo. Meu recado, minha dica ao Celso, era para ele fazer mais ou menos aquilo que Felipão fez por onde passou: formar uma família. Felipão formou a Família Scolari. Celso Roth deve formar a Família Roth. O objetivo enfim, era apenas de lembrar o treinador colorado, que seu passado inglório pode ser seu grande trunfo para unir o grupo. Pode ser a injeção de ânimo que lhe faltava para atingir a glória e o nosso eterno respeito. Porém, poucos me entenderam.


A maioria dos colorados leitores, ao invés de observarem minhas dicas a Roth, focaram minhas ironias. Importaram-se mais com meu ponto de vista religioso e introdutório ao texto, do que com minhas verdadeiras e importantes colocações. Muitos me ofenderam. Alguns me deram dicas, disseram que me falta Deus no coração. Quase procurei um cirurgião e um padre. Um cirurgião cardiovascular para abrir meu coração e um padre para colocar Deus no interior do meu músculo cardíaco. Desisti da ideia. Fiquei com medo que ambos não me compreendessem.


O engraçado de brincar com Deus é que os mesmos que pregam o respeito a Ele são os que desrespeitam. Ao invés de perdoar querem vingança. Alguns clamaram para que minha carta fosse retirada do ar. Outros para que cometesse o suicídio. Estivesse eu na frente da massa colorada, com a carta na mão, e provavelmente não teria tempo para lê-la. Muito menos para explicá-la. Nem todo amor de Deus evitaria meu assassinato. Lógico que existem aquelas pessoas que me compreenderam e me deram força, mas esses como sempre, fazem parte da minoria.


Por fim, só posso dizer que estou feliz. É, fico feliz quando essas coisas acontecem. É na polêmica que a reflexão ocorre, que o “não pensado” passa a ser refletido. Esse deve ser o objetivo de quem escreve.


Abraço, e para quem está ansioso por ler a polêmica carta e conferir os irados e amorosos comentários, é só entrar no “Blog do Torcedor do Sport Club Internacional” no site “da Globo”. Exatamente. Eu disse “na Globo amigo”. Acessem e confiram: http://globoesporte.globo.com/platb/raulkrebs

terça-feira, 22 de junho de 2010

Nação Verde Amarela

Não vou criticar a Copa. Adoro Copa do Mundo. Quando o assunto é Copa me torno um alienado. Por completo. Acompanho todos os jogos, o desenvolvimento das tabelas, além de fazer a matemática da classificação. Grupo por grupo. Assistiria enfim, a todos os jogos se pudesse.


Só existe uma coisa que me desagrada na Copa do Mundo. Na Copa temos a ilusão de amarmos o Brasil. Por trinta dias desenvolvemos um falso amor pela pátria. Tornamo-nos nacionalistas. Do Oiapoque ao Chuí. Alimentamos o amor e o ódio. A Argentina passa a ser nossa inimiga, foco de nossas atenções. E no caso de fracasso brasileiro, apelamos para nosso país de origem. Brasileiros descendentes de alemães passam a torcer pela Alemanha, italianos pela Itália e gremistas pela Argentina (opa isso é brincadeirinha). Nesse caso somente os índios, brasileiros de origem, ficam órfãos. A maioria continua ligada no espetáculo mundial.


É lógico que não falo daquele sentimento que a Copa proporciona aos amantes do futebol. Àqueles, que como eu, amam a bola, a redonda, a Jabulani, ou a gorduchinha se preferirem. Esses assistem até campeonato de reba se possível. Eles não fazem parte da massa eufórica, histérica e envolvida por esse falso sentimento.


E quando afirmo que é falso esse sentimento, afirmo isso por que ele não é constante, duradouro. Aos que acham que derramo mentiras aqui, só tenho a dizer que se esse sentimento patriota fosse verdadeiro, deveríamos realmente amar nosso país em todos os momentos e em todas as circunstâncias. Deveríamos vestir o manto verde amarelo até em campeonato mundial de bolita e banir as multinacionais que daqui levam nosso dinheiro. E porque não fizemos isso? Simples, pelo simples fato de não sermos estimulados a isso. São os grandes manipuladores de opinião que incutem essa paixão momentânea em nossos corações.


Para vocês me entenderem, esse sentimento de amor pela pátria é o mesmo sentimento de cidadania que toma conta da população em época de eleição e o mesmo sentimento cristão que fazem lotar as Igrejas em suas memoráveis datas cristãs, como a Páscoa e o Natal.


Não me critiquem por criticar. Eu só gostaria que as coisas fossem diferentes. Gostaria que o sentimento político persistisse fora da época eleitoral, que a busca religiosa fosse individual, verdadeira e coerente, e que o amor, não pela pátria, mas por toda humanidade fosse uma constante. Só queria isso. Será que é muito?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Meu amigo José.

Na última sexta feira, dia 18, perdi um grande amigo. Um amigo distante. Morava em Portugal e morreu com oitenta e sete anos. Falo de José Saramago.


Na vida acumulamos vários tipos de amigos. O Orkut que nos diga. Eu e Saramago, no caso, fomos amigos de ideias. Companheiros de ideais. Compartilhamos dos mesmos princípios. Temos a mesma classe de desafetos.


Saramago escreveu vários livros. Não li nenhum. Não sei exatamente porque não li Saramago, mas provavelmente porque falamos da mesma coisa. Ler o único português ganhador do prêmio Nobel de Literartura seria como buscar afirmação, auto me elogiar. As poucas linhas que li dele, em seu blog, me deixam claro isso. Ler Saramago não me traria algo de novo, a não ser companhia. Saramago é meu amigo famoso. Ele fala por mim. Acreditamos na mesma coisa. Somos ateus e filósofos. Além disso, temos o comunismo como ideal e um blog para nos comunicar. Acreditamos enfim, sem nunca termos dialogado, que os grandes males da sociedade estão enraizados no capitalismo, nas instituições religiosas, e na conseqüente falta de filosofia e de reflexão.


Hoje não vou falar. Vou deixar Saramago falar por mim. São frases fortes. Pensamentos inquietantes e provocativos. São linhas traçadas que inevitavelmente nos levam a reflexão, ou se preferirem, que nos direcionam aquilo que tanto Saramago, quanto eu, achamos que falta na sociedade, ou seja: pensar e agir filosoficamente.


Saramago é pessimista quando observa a sociedade. Segundo ele, “o fracasso do capitalismo financeiro, hoje tão óbvio, deveria ajudar-nos na defesa da dignidade humana acima de tudo”. Porém, parece que cada vez mais “nós estamos a assistir ao que chamaria de morte do cidadão e, no seu lugar, o que temos, e cada vez mais, é o cliente. Agora já ninguém te pergunta o que pensas, agora perguntam-te que marca de carro, de roupa, de gravata tens, quanto ganhas…”.


Já sobre as instituições religiosas e suas contradições, o português, que nunca teve medo de falar, é contundente: “não suporto ver os senhores cardeais e os senhores bispos trajados com um luxo que escandalizaria o pobre Jesus de Nazaré. Dizem-se representantes de Deus na terra e passeiam-se pelo mundo suando hipocrisia por todos os poros”.


E por fim, mesmo descrente num mundo melhor, em seu último suspiro, e como que resumindo toda sua obra e seu objetivo como escritor, ele nos dá a receita para o mundo. Ele aponta o caminho que deveríamos seguir. “Acho que na sociedade atual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objetivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objetivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma”. Saramago morreu, se foi, já era. Porém, suas ideias e seus amigos continuarão por aí, denunciando os males e sonhando com um mundo melhor.


Para conferir o blog de José Saramago e mais algumas de suas ideias, acesse: http://caderno.josesaramago.org/


Abraço e boa reflexão a todos.