terça-feira, 14 de setembro de 2010

"ELEIÇÕES 2010: OS PRESIDENCIÁVEIS" por Marcos Maffissoni*

 Me prestei, hoje, enfim, a assistir um debate dos presidenciáveis. Pra ser mais organizado e sistemático, vou falar separadamente de cada um deles.

            Primeiro o Serra. O Serra é o cara que todos já imaginavam que não teria muita chance de ganhar a presidência caso o PT colocasse qualquer candidato. Qualquer mesmo: se um cachorro fosse indicado por Lula, provavelmente se sagraria o primeiro presidente canino do país. Mas o PT desistiu do ‘melhor amigo do homem’ e resolveu inscrever Dilma: a melhor amiga das mulheres. Apesar da péssima escolha petista, as chances de Serra são ínfimas. O que não o proibiu de piorá-las. Ou ele é muito burro ou deixou que outro alguém muito burro lhe escolhesse uma tática de campanha absurdamente equivocada. : o que daria na mesma. No tal debate os candidatos podiam fazer perguntas entre si. Serra só pediu para Dilma. Dilma jamais pediu para Serra. Só Dilma aparecia. Serra insistia que sua filha foi violada, e ao invés de perceber seu genro como o corruptor, acusa o PT. Parecia uma criança chorona. E das mais chatas. Ele também sabe que não pode atacar o Lula (o intocável). Botou-se na árdua e contraditória labuta de se comparar ao Lula, mas ao mesmo tempo de denegrir o governo lulista, e também de prometer continuá-lo. Na melhor performance ‘cego em tiroteio’ consegue assustadoramente piorar suas chances. Sozinho.

            Por segundo, falemos da Dilma. Não é novidade para ninguém (nem para os atrasados gremistas que ainda não descobriram que já não mandam no futebol do Sul) que Dilma, apesar de ser do PT, não tem estrela. Por mais que Lula e a cúpula petista se esforçassem, dificilmente conseguiriam encontrar uma figura com menos carisma e menos apta a assumir a presidência do país do que Dilma. Se ela ganhar (o que é muito provável) Lula afirmará seu poder quase divino: eleger ao cargo mais importante do país (talvez só menor que a presidência do Colorado) uma inelegível até para grêmio estudantil de escola do interior do Acre (aliás, o Acre tem sua candidata). Por outro lado, se Dilma perder, o PT e o Lula terão perdido a partida mais ganha da história da política brasileira. Mas como já foi dito, no debate só ela falou: sua equipe foi inteligente em fazê-la perguntar aos outros candidatos, menos ao chorão Serra, temas brandos que só a reafirmavam. É certo que ela faltou a todas as aulas de simpatia, oratória e retórica. Fala mal, gesticula mal, se expressa mal, tem cara de mal. Mas vai ganhar. Não tem proposta senão a de manter o PT no poder. Mas vai ganhar. E não, não é piada. Ela nem se esforça muito: só tenta deixar evidente que a merda de agora fede menos que a anterior, o que é verídico. E a ditadura do ‘menos pior’ lhe garantirá quatro anos de um pomposo e bem remunerado emprego de fantoche.

            Por terceiro, vamos à Marina. Acreana, jurava que o Acre a apoiaria. É apenas a terceira colocada nas intenções de voto de seu estado... Também pudera. Marina é a típica candidata ‘não fede e não cheira’. Fala única e exclusivamente de preservação do meio-ambiente (um tema já pouco estimulante para nossas corridas vidas capitalistas destrutivas e inconseqüentes), e mesmo assim não consegue ter o mínimo, o mais pequenino, um fiapinho que fosse de entusiasmo. Com sua voz fina e rouca, sua cara de ressaca e sua língua enrolada, parece constantemente estar sob forte efeito de álcool. Tende a ser mais amiguinha do Serra do que da Dilma. E justamente como o Serra, tem alta habilidade em se manter o tempo todo perdida e com um semblante de quem a qualquer instante pode irromper em uma constrangedora interrogação: ‘onde estou, posso saber’?!

            E por último, mas não menos importante (nem mais também) o Plínio. Plínio tem por base de campanha afirmar-se diferente dos outros três. E consegue: além de sua cara de extraterrestre ou, quiçá, de duende aposentado, ele é um socialista. Contraditório: é um socialista católico. Mas Plínio pelo menos é engraçado. Irreverente. Gosta de por os outros em saia justa e, diferente dos outros três, apesar de defender propostas que não são nem um pouco elegíveis num país com uma mídia tão norte-americana como o nosso, é o único que parece acreditar no que propõe. Tem o melhor discurso, a melhor retórica, a maior simpatia, mas o partido menos expressivo. De mais a mais, é somente por ele que os debates têm um ‘Q’ de agradável. Ele é engraçado, irônico, um quase humorista. Em uma época em que a política não passa de uma piada (e quase sempre sem graça!), Plínio parece ser o mais indicado a nos fazer rir. Não gostaria nem de imaginá-lo no poder, mas simpatizo com ele. Como também não gostaria nem de imaginar nenhum dos outros três no poder e não simpatizo com nenhum desses outros três, é só o Plínio que poderá me convencer a não votar nulo. Se ele mandar alguém a PQP antes do final da campanha, terá meu voto. Suspeito que coisas assim sejam até do feitio desse bem humorado senhor.

            Por fim, como sempre quando se fala em política: lamentável. E mais lamentável ainda é que nós, os eleitores, sejamos tão ingênuos e desleixados para engolir que um desses quatro é que deve nos governar. Merecíamos algo bem melhor. Mas vai ver, antes seja necessário começarmos a ser, nós, melhores. Vai ver já está na hora de nos implicarmos mais com os caminhos e descaminhos do país e repudiarmos esse nefasto show de humor negro que a política nacional, faz hora, se transformou. Enquanto não propormos nem fizermos nada, eles continuarão propondo e fazendo por nós: a mesma quantia lamentável de coisas que sempre fizeram. E não é só deles a culpa. Sacou, mané?!

* Marcos Maffissoni, além de ser um ser bastante desiludido com o amor conjugal, é colorado (o que o faz um ser inteligentíssimo), músico, e entre outras atividades, também cursa filosofia na UNOCHAPECO.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Novos Tempos de Paz.


Eu pensei em criticar. Juro que pensei. Criticar no meu sentido sabem? Ironizando, debochando e “alfinetando” (esse termo não é meu, escutei ele de uma autoridade). Porém desisti. Mudei de estratégia. Encontrei um novo caminho. Um caminho mais positivo, mais tranqüilo, sem muitos espinhos. De agora em diante, vou ver apenas o lado bom das coisas. Serei mais ou menos como um portal de notícias, sempre imparcial.

Desculpem-me se nesse primeiro texto ainda mantiver alguns resquícios daquele longínquo tempo em que fui um debochado irônico alfinetador de contradições.  Não é fácil mudar assim, da noite pro dia. Mas vamos lá. Prometo fazer grandiosos esforços para me manter em paz com vocês. 

Por falar em paz, é sobre ela que quero falar.

No último sábado tivemos a caminhada da paz em Planalto. Creio que nunca na história de Planalto, uma caminhada fez tantas pessoas felizes. Definitivamente, houve consenso geral entre as classes: alunos e professores, funcionários públicos municipais e seus respectivos patrões. Todos de olho no próprio umbigo e empunhando a bandeira da paz.

Os alunos, em acordo com seus professores, receberam folga da marcha habitual de Sete de Setembro, e mais alguns pontos na média geral para participar do evento. Funcionários públicos receberam dispensa do trabalho no dia de hoje por terem comparecido na caminhada. Tudo pela paz, pelas notas, e pelo feriadão é claro. O único ponto negativo do "movimento fim guerra” foi o professor de filosofia que não aderiu ao movimento de compra de alunos, digo, de estímulo a aprovação colegial. Ninguém entendeu ou soube dizer o porquê de tal atitude. Dizem que se negou a negociar com os alunos, pois segundo ele, “negócio” é fruto do capital, e que negociar feriria seus princípios. 

O importante enfim (tirando a rebeldia do professor de filosofia), é que tudo ocorreu dentro dos conformes. Tudo dentro do planejado: houve comparecimento em massa da população (caminhando ou aplaudindo com segurança), os alunos estão quase todos aprovados, os funcionários públicos terão feriadão, e os veículos de comunicação do município já tem o que postar na próxima edição do jornal. Dizem que até a RBS, e vários postulantes a um cargo na Assembléia Legislativa do Estado e a Câmara Federal estiveram presentes. As más línguas dizem que vieram por causa da eleições, mas isso é conversa pra boi dormir.

Eu sinceramente estou arrependido. Sinto que perdi uma grande chance de mostrar minha nova cara. Já imaginaram se apareço na TV, todo de branco, sorrindo, e segurando um belo cartaz branco? Seria perfeito.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Aos que não acreditam no que falo.

Stephen Hawking lança livro e diz que Big Bang foi consequência da lei da gravidade

Para cientista britânico, Deus não tem mais lugar nas teorias sobre a criação do universo

Stephen Hawking lança livro e diz que Big Bang foi consequência da lei da gravidade<br /><b>Crédito: </b> AFP
Stephen Hawking lança livro e diz que Big Bang foi consequência da lei da gravidade
Crédito: AFP

Deus não tem mais lugar nas teorias sobre a criação do universo, devido a uma série de avanços no campo da física. A afirmação é do cientista britânico Stephen Hawking em seu novo livro, que teve trechos divulgados nesta quinta-feira. Demonstrando uma posição mais dura em relação à religião do que a assumida nas páginas do best-seller internacional "Uma breve história do tempo", de 1988, Hawking diz que o Big Bang foi simplesmente uma consequência da lei da gravidade.

"Por haver uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a ele mesmo do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos", escreve o célebre cientista em "The grand design", que será publicado em série no jornal The Times.
"Não é necessário que evoquemos Deus para iluminar as coisas e criar o universo", acrescenta.

Hawking se tornou mundialmente famoso com suas pesquisas, livros e documentários, apesar de sofrer desde os 21 anos de idade de uma doença motora degenerativa que o deixou dependente de uma cadeira de rodas e de um sintetizador de voz.

Em "Uma breve história do tempo", Hawking sugeria que a ideia de Deus ou de um ser divino não é necessariamente incompatível com a compreensão científica do universo. Em seu mais recente trabalho, no entanto, Hawking cita a descoberta, feita em 1992, de um planeta que orbita uma estrela fora de nosso Sistema Solar, como um marco contra a crença de Isaac Newton de que o universo não poderia ter surgido do caos.

"Isso torna as coincidências de nossas condições planetárias - o único sol, a feliz combinação da distância entre o Sol e a Terra e a massa solar - bem menos importantes, e bem menos convincentes, como evidência de que a Terra foi cuidadosamente projetada apenas para agradar aos seres humanos", afirma Hawking.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Alguém explica?


Sou limitado. Extremamente limitado. Tenho sérias dificuldades para entender algumas coisas.  Por outro lado, tenho minhas qualidades também. Consigo entender, por exemplo, o que levou o goleiro Bruno a encomendar a morte de Eliza Samudio e também os motivos que estimularam os dois fiéis cristãos a espancar ou apedrejar quase até a morte um ser a sua imagem e semelhança. Para mim tudo muito simples: Bruno matou por desespero e os fiéis espancaram por Deus.

No caso de Bruno, ele apenas não admitia que uma atriz pornô, uma “mulher da noite”, que servia a ele e a toda torcida do Flamengo, viesse a lhe encher o saco por causa de um filho indesejado. Para Bruno, Eliza servia apenas para esvaziar o saco e não para enchê-lo. Assim, envolvido pelo desespero de ter um filho com uma, digamos, prostituta, Bruno não teve dúvidas: na primeira possibilidade que teve mandou a “cadela” para o canil. Uma crueldade claro, mas compreensível se pensada friamente.

Já o caso dos fiéis é mais fácil de compreender. Eles apenas fizeram a vontade de Deus. Está na Bíblia, podem verificar. Tanto no Novo como no Antigo Testamento. Assim diz Jeremias “Eis que encherei de embriaguez a todos habitantes desta terra, e aos reis da estirpe de Davi, que estão assentados sobre o seu trono, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todos os habitantes Jerusalém. E fá-los-ei em pedaços jogando uns contra os outros, e juntamente os pais com os filhos, diz o Senhor: não perdoarei, nem pouparei, nem terei deles compaixão, para que não os destrua” (Jr 13: 13-14). Já no Novo Testamento, ou seja, nas palavras de Cristo, segundo São Matheus, assim afirma: “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada” (Mt 10: 34). Viram que fácil de entender os fiéis espancadores?  Tá tudo lá, justificadinho.

Mas como ia dizendo a vocês, existem crimes cruéis que consigo entender e fatos aparentemente simples que fogem da minha compreensão. Não entendo, por exemplo, o que leva um universitário ou universitária, maior de idade, vir a importunar todo um ônibus universitário que clama por descanso, ou ainda, o que leva um profissional renomado a apedrejar a casa de dois idosos. O primeiro caso presenciei ontem. O segundo chegou aos meus ouvidos no final de semana. Obviamente que não vou citar nomes, mas esses atos, aparentemente muito mais simples que os nossos dois primeiros crimes, me intrigam e me levam acreditar que tudo está perdido. Vou tentar entender, procurar no Google, quem sabe ler a Bíblia de cabo a rabo para encontrar alguma resposta. Mas enfim, como disse: sou limitado para certas coisas. Definitivamente limitado.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Um Viva a Vida Mentirosa de Cada Um.


Sempre fui um mentiroso. Não que eu tivesse consciência disso. Descobri isso nesse último mês. Minha vida foi sempre uma mentira. Uma mentira construída dentro de outra grande mentira. Digo isso, pois morri no último mês. Morri e renasci.

Para quem nunca morreu, posso dizer: morrer faz bem. A morte nos liberta. Nos tira aquele peso da história das costas. Não que ela nos deixe vazio, sem nenhum fardo para carregar, mas ela nos fornece novas bases, novas estruturas e novos mecanismos para a construção de uma inédita existência. A morte nos livra de uma mentira para que possamos construir outra. 

Alguns dizem que lutamos por uma verdade. Mais uma mentira. Ninguém vive por uma verdade, mas todos vivem por uma mentira pessoal, cujo objetivo último é transformá-la em verdade universal. Enfim, vivemos para mentir. 

E só mentimos por reconhecimento. Não interessa qual. Pode ser através da Igreja, dos cargos públicos. Através da música, da política, e até do futebol. Onde quer que eu ou você estejamos, o que queremos é reconhecimento. Tudo uma grande mentira. Necessária mentira, obviamente. É a mentira a forma que encontramos para suportar a existência e é ela que nos dá status social. Quanto mais mentiroso, mais popular. Basta ver a política e nossas personalidades famosas.

Não digo isso da boca pra fora. Falo sério. Mesmo esse texto que escrevo agora para vocês, carece de reconhecimento. Quero ser visto, falado. Beatificado por uns e amaldiçoado por outros. Escolhi a escrita pra isso. É nela que apareço e que faço a diferença. Pelo menos pra mim.

É lógico que não era minha primeira escolha ser filósofo, blogueiro e ativista político. Se fosse para escolher, seria jogador de futebol, jogaria no Inter e me dedicaria ao clube o resto dos meus dias. Porém, as pernas e o cérebro não conseguiram se entender para fazer do Ale da Sissi uma espécie de D’Alessandro. E assim me restou apenas torcer para o Inter. E digo a vocês: torci muito. Torci, sofri e morri com o Inter. Inclusive, foi o Inter que me matou.

Na minha vida passada de torcedor, não lembro de um só dia em que senti algo parecido com o que sinto agora. Nesse admirável mundo novo, aqui "acima" do céu azul, apenas vejo o Sol, que por sinal também é vermelho. O mundo aqui é vermelho, e isso é uma beleza. Sinto-me definitivamente em casa, e dessa vida não quero mais sair.

Do inferno que vivi quando estive aí com vocês, muitas coisas ruins vocês me ensinaram. Foi o mal exemplo de vocês que estimularam minhas rebeliões políticas, e foram as crenças incutidas sobre o seu Deus que me estimularam a não mais acreditar Nele. É lógico que mentia para vocês quando dizia que Deus não existia. Deus existe, mas nem preciso dizer que não é essa mentira que vocês inventaram. Deus é poder, é estar acima dos outros. É ver-se acima de todos. Deus enfim, é o reconhecimento quase unânime de que sua mentira é uma verdade absoluta.

Em resumo, minha vida mentirosa foi inventada por mim para suprir uma vida repleta de desgraças futebolísticas. Foram as desgraças no futebol que fizeram-me desafiar Deus, o Diabo e qualquer outra mentira. Criei mentiras para combater outras. Era isso que me fazia viver aí. Era isso que me mantinha respirando. Escrevi, movimentei, agitei, torci e morri. Como disse, o Inter me assassinou. Mandou-me dessa para uma melhor. E nesse novo universo vermelho, o mundo político e as verdades metafísicas não fazem mais sentido. Até a Filosofia que eu tanto amava perdeu a graça.

Posso um dia, se para outro mundo for enviado, voltar a sonhar e a mentir para mim que outro mundo é possível. Mas no momento, só quero curtir. Tive problemas demais na minha vida passada e sinceramente espero nunca mais tê-los de volta. 

Um viva a vida, ao Inter, e a mentira que cada um carrega.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A nova ordem do futebol gaúcho


Meu último “post” - é assim que se chama um texto real publicado no mundo virtual – causou polêmica. Não no mundo virtual - que como podem perceber não obteve nenhum comentário sobre o assunto – mas no mundo real. Eu fico feliz lógico. Já disse a vocês que adoro uma polêmica. Gosto da polêmica porque ela nos faz odiar, amar, defender um ponto de vista e às vezes até concluir algo sobre o assunto. Enfim, gosto da polêmica porque ela movimenta o pensamento e perturba a mente.  

A polêmica da vez é a respeito do “respeito”. Meus jovens amigos gremistas, que respeito muito, sentiram-se ofendidos por eu afirmar que agora “apenas devo respeito para com tricolores gaúchos com mais de 35 anos de idade”. E eles estão com a razão. Literalmente errei. Não me fiz claro. Usei a palavra errada, ou deixei de usar as palavras corretas, para explicar o que queria dizer. No caso, errei em não me referir a que tipo de “respeito” estava me referindo.

Mas vamos à origem da polêmica:

Como sabemos, na última quarta-feira, o Sport Clube Internacional, conquistou pela segunda vez a Taça Libertadores da América. E o que tem isso de tão importante? A princípio nada, afinal foi apenas mais um título importante na história de um clube importante. Porém, mas, não obstante, e apesar de, o título de quarta feira reconfigura novamente o futebol gaúcho. Ele troca novamente de lugar os protagonistas.

O título de quarta recoloca o colorado no topo da eterna discussão entre colorados e gremistas e faz com que pela primeira vez, depois de 27 anos, um colorado possa sair às ruas sem medo algum de encontrar um fanático gremista pronto para discutir. E eis o ponto no qual entra o “respeito” no qual me referi.

O respeito, com o título da última quarta, mudou de lado. E o respeito que falo, refere-se ao mesmo respeito (ou desrespeito), que os gremistas tiveram pela massa vermelha nos últimos 27 anos.

Explico:

Depois de 1983, com a conquista do continente e do mundo por parte do Grêmio, colorado algum do universo, conseguia dialogar com um gremista. Desde aquela maldita conquista gremista no distante ano de 1983 diante do Penarol, que de nada adiantava o torcedor colorado ser três vezes campeão brasileiro, ser mais vezes campeão gaúcho e ter vencido um maior número de grenais. Todos os argumentos colorados iam por água abaixo numa só frase tricolor: ”quando levantarem a América e o Mundo retorne a falar comigo”. Não havia discussão, não havia respeito pela história colorada, mas havia sim, humilhantes deboches, constantes comentários desrespeitosos e malditas falas menosprezando a massa colorada. Cantos gremistas se referiam ao colorado como “aquele que nunca ganhou de ninguém”. As coisas que já eram terríveis para o torcedor colorado, pioraram muito em 1995, quando o Grêmio viria a conquistar pela segunda vez o título continental. Para os colorados era a ruína, a desgraça total e a certeza de que essa gangorra jamais mudaria de lado. Já para os gremistas, o título soava como uma confirmação de sua grandiosidade e o absoluto domínio sobre o rival. Nem o mais fanático colorado imaginaria que 15 anos depois estaria à frente do rival, e nem o gremista mais pessimista apostaria numa reviravolta.  Porém, o futebol é incrível. Ele é dinâmico - já dizia não sei quem.

E tudo começou a mudar em 2006. Tudo mesmo, afinal o Inter ali começava a conquistar tudo. Porém, mesmo assim, depois de conquistar tudo, ao discutir com um torcedor do tricolor gaúcho, o colorado ainda ouvia a assombrosa e soberba voz tricolor que dizia: “quando vocês erguerem duas Taças Libertadores retorne a falar comigo”.  O torcedor vermelho sentia o golpe, dizia ser campeão de tudo, mas de nada adiantava. O parâmetro, a base de análise para a discussão com um gremista era outro. O tricolor gremista continuava soberbo, arrogante e autoritário em seu discurso. Não todos claro, apenas a maioria. E foi isso que mudou na última quarta feira.    
   
Na última quarta o gremista teve (“zagalamente” falando) de engolir o colorado. Engoliu e teve indigestão é bom dizer. A partir da última quarta novamente o maior clube do Rio Grande é o Internacional. É ele que possui todos os títulos internacionais possíveis. É ele que tem quase tudo o que o Grêmio possui (não queremos nos igualar ao rival, afinal não queremos a Segundona), além de ter mais títulos gaúchos, mais campeonatos brasileiros, e mais grenais vencidos. Gremistas podem ainda se vangloriar de terem vencido mais vezes a Copas do Brasil e de terem a maior torcida do Estado, mas isso, como eles mesmos afirmaram por mais de 20 anos, vale muito pouco e não nos serve como base para a discussão.

É lógico que muitos jovens gremistas já nasceram Campeões ou Bicampeões da América. Mas temos de concordar que entre nascer campeão e ter a sensação de experenciar a conquista há uma gritante diferença.

Enfim e para concluir, quero deixar claro aqui, que quando me referi que só respeito gremistas com mais de 35 anos, não me referi ao respeito humano que devemos ter uns com os outros, mas sim, quis dizer que apenas gremistas que hoje estão entre seus 30 e 40 anos de idade podem dizer que viram e sentiram o que nós colorados vimos nos últimos cinco anos. Apenas eles viram seu clube de coração ganhar duas vezes a América, e somente eles sabem o que é realmente ter essa sensação. Só esses gremistas sabem do que estou falando, e os respeito muito por isso. Aos outros...bem...aos outros resta discutirmos futebol, história, supremacia de um sobre outro definindo anteriormente os devidos parâmetros, e não a sensação de ser ou não campeão.

Abraço a todos e muito respeito com o novo mandante do futebol estadual. Ele já ganhou Tudo e pode ganhar tudo de novo.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um campeão sem palavras.

Eu gostaria e muito, de dizer a vocês o que estou sentindo. Mas é impossível. Existem coisas que as palavras não conseguem expressar. Elas não abarcam a totalidade da sensação.

Como poderia eu transmitir em palavras todo um dia de sonho que vivi na carne? De traduzir a vocês a ansiedade pré jogo, a angústia do gol sofrido, a virada no segundo tempo, a vitória e a glória de erguer mais uma vez o maior título do continente? Como poderia descrever a festa que fiz entre a Cidade Baixa, o Beira Rio e a Goethe? Enfim, como poderia resumir em um texto, em linhas transcritas racionalmente, a sensação, de pela primeira vez presenciar, em pleno Beira Rio e em meio a Guarda Popular, meu Colorado ser campeão?

Não, isso não é possível. Seria muita soberba e arrogância minha acreditar que símbolos e signos fossem capaz disso. Não são as palavras que podem dizer algo sobre o que vivi. Não são elas que podem falar. Sei que todos os colorados do mundo me compreendem. E aqui ébom dizer, não só os colorados.

Santistas com mais de 55 anos sabem do que falo. Cruzeirenses com mais de 40 também. Até os gremistas na faixa dos 35, e os são paulinos de 25 anos me entendem. Estes, como nós colorados, viram seus clubes chegar ao topo da América e compreendem meu sentimento presente. Para estes devo todo o meu respeito, e para toda nação colorada dou os meus parabéns.


"Celso Roth somos todos nós" por Juremir Machado da Silva

Foi a vitória de Celso. O triunfo de Roth. Houve um tempo, confesso, em que eu não gostava dele. Achava-o retranqueiro. Mudei. Ele também mudou. Estou feliz por ter vencido meus preconceitos antes da conquista deste bi da Libertadores da América. Quando Celso foi contratado para esta reta final, eu declarei meu total apoio a ele. No programa "Bom-Dia", da Rádio Guaíba, Rogério Mendelski e eu o acolhemos com entusiasmo. Descobrimos um cara do bem, dedicado à família, orgulhoso da filha estudante de filosofia e do filho que trabalha no Tecnopuc. Eu admiro os perseverantes, aqueles que dão a volta por cima, que navegam contra as marés e modas e vencem depois de declarados mortos e enterrados. Celso é um sobrevivente. Passou do clube dos perdedores para o dos vencedores.

Flaubert, um dos maiores escritores de todos os tempos, disse de sua mais famosa personagem: "Madame Bovary sou eu". Quando compreendi, enfim, Celso Roth, passei a me identificar com ele. Atrevo-me a dizer: Celso Roth sou eu. Somos todos Celso Roth. Todos nós que batalhamos, sonhamos, acreditamos, temos talento e, volta e meia, enfrentamos a descrença e o desprezo. Celso conquistou a América. Vai conquistar o mundo. Somos todos Celso Roth. Todos nós que não desistimos, criamos, sorrimos e, nos momentos difíceis, explodimos, brigamos, esperneamos e aceitamos nos tornar motivo de chacota. Celso Roth somos nós, acusados de ressentimento, de grossura, de ruindade e de falta de sofisticação. Nós que amamos a vida, as diferenças, os outros e jamais cultuamos a amargura. Celso é um generoso que precisa, volta e meia, vestir uma armadura para resistir a tudo.

Celso, como diriam os franceses, é um revenant. Voltou do fundo do poço para subir ao cume, saiu da condição de azarado para a de homem que fez tudo certo. Conheceu os subterrâneos. Agora, respira o ar das montanhas. Escalou bem, trocou no momento preciso, ousou e venceu. Nada mais maravilhoso do que ver o Internacional ganhar com gols de um corajoso e baleado Rafael Sóbis, outro do inimaginável e humilde Leandro Damião e, por fim, um golaço do batalhador e quase sempre brilhante Giuliano. Já fomos todos Gabiru. Hoje somos Damião, Giuliano e, principalmente, Roth. Enviarei a Celso minha "Trilogia de Palomas" como um símbolo, a marca de alguém que aprendeu a admirá-lo ao perceber que se tratava de um conquistador. Celso será novamente criticado. Enfrentará poderosos inimigos. Tentarão desqualificá-lo. É destino de todos nós, os Celso Roth.

Nada, porém, poderá desfazer sua imensa conquista, fruto do seu talento incomensurável. Celso é um maldito como Charles Baudelaire, Jean-Arthur Rimbaud, Michel Houellebecq e eu. Será amado e odiado. Jamais será esquecido. Somos todos Celso Roth, nós os conquistadores pelo trabalho árduo, nós, os excluídos da cultura fashion, aqueles que, para usar a expressão do professor Aníbal Damasceno, sofrem de "feiura de pajé". Celso, agora, brilha por nós no panteão da superação. Que sirvam suas façanhas de modelo a todos que apostam sempre na própria arte, contra tudo e contra todos. Obrigado, Celso.


Juremir Machado da Silva
Alinhar à direita

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Eu e o Wianey.

Ontem a tarde bati um papo rápido com o Wianey. Para quem não sabe, o Wianey é comentarista da Rádio Gaúcha e colunista esportivo do Jornal Zero Hora. O papo foi pelo twitter, que também para quem não sabe, é uma ferramenta que nos possibilita trocar ideias com qualquer pessoa, desde que tais ideias não ultrapassem 140 caracteres, e que ambas as pessoas façam parte do mundo “twitteriano”. Em outras palavras, o twitter é a forma mais fácil de trocarmos algumas palavras com as pessoas que admiramos e não temos contato.


Introduções e explicações a parte, a questão é que o Wianey se queixou no twitter. Disse que não agüenta mais ser chamado de gremista pelos colorados, e de colorado pelos gremistas.


Eu, obviamente, acho que o Wianey é gremista, mas segundo ele, ele não torce para ninguém. Wianey inclusive pediu que seus seguidores, ou amigos de twitter, lhe dessem um motivo para que ele fosse gremista ou colorado. Eu dei um motivo para o Wianey. E foi ai que iniciou nosso breve diálogo.


Minha explicação foi simples e objetiva, disse que antes de comentarista ele era um ser humano, apaixonado pelo futebol, e que para ser apaixonado pelo futebol, deveria ao menos, na sua infância, ter torcido por algum clube. Wianey respondeu, disse que isso não era uma regra e que não compartilhava da minha ideia. Segundo ele, sua infância foi afastada do mundo futebolístico, circunstância essa que fez com que crescesse sem paixão por clube algum.


Eu não acreditei, falei para ele pensar no assunto e ele respondeu que não tinha o que pensar. Por fim dei a ideia para ele escrever um texto sobre nossa pendenga e encerramos a conversa.

Não sei se Wianey pensou ou não, muito menos se escreveu algo sobre. Porém, mesmo não acreditando que ele tenha crescido sem clube, tentei entendê-lo. Perguntei-me: não poderia Wianey Carlet falar de futebol racionalmente, sem estar preso a clube algum, da mesma forma que um ateu fala sobre a religião sem estar preso a crença alguma?


Assim, fazendo uma comparação entre futebol e religião, concluí que a relação de Wianey com o futebol é a mesma que os ateus possuem com a religião. Wianey não tem clube preferido, encara o futebol racionalmente, e provavelmente acha uma bobagem o fanatismo do torcedor. Os ateus, no caso, também não pertencem a seita religiosa alguma, encaram a religião racionalmente e acham uma grande falta de reflexão o fanatismo religioso.


Ainda acredito que Wianey tem seu clube preferido, mas como ateu que sou, e dentro da minha respeitosa racionalidade, devo respeitar suas palavras. Wianey se posiciona diante do futebol, exatamente como os ateus se portam perante a religião: sem amarras, sem paixão e com muita razão. E isso realmente é possível. Podem acreditar em mim. E no Wianey claro.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

As últimas palavras de Lírio ao Ale

Alexsander: De minha parte, me permita incluí-lo em minhas pobres preces! Abraços do Lirio.

As últimas palavras do Ale ao Lírio.

Olá Lírio. Sinceramente estou confuso. Não entendi os e-mails "powerpointianos" que você me enviou. No primeiro, que fala de Einsten, você justifica o seu Deus com o Deus de Einsten. Mas pergunto: será que vocês falam do mesmo Deus? Poderia o Pai da Teoria da Relatividade crer em algo Absoluto?

Já no segundo e-mail, o do Bono Vox, me causou surpresa verificar que o vocalistra do U2 assina por Deus. Seria ele o novo messias? Alguém que além de falar por Deus também assina por Ele?
Como disse estou confuso, mas pelo que percebo o senhor não quer mais dialogar sobre o assunto.

Nada que me surpreenda, afinal faz parte da crença cristã não discutir a verdade. Abraços sinceros e decepcionados, Alexsander.

O encerramento do díálogo por parte do Lírio.

Sr. Alexsander: Me senti prestigiado pela atenção dada às minhas colunas e aos e-mails. Lamento se não tive competência para arrazoar com V. S. Minhas convicções, são para mim sagradas e jamais abriria mão. Certamente, o Sr. fará o mesmo. Penso, então, que chegamos a um impasse. Repasso alguns e-mails, que me enviaram. Se tiver tempo, ponha os olhos nele. Do contrário, é fácil, delete-os. Com sinceridade e admiração. Lirio.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A "quádrupla", a continuação, ou a sequência do diálogo entre Ale e Lírio

Olá, primeiramente gostaria de me desculpar se não fui claro, mas já respondendo suas primeiras questões, preocupo-me sim, com algumas colocações de seus escritos. Porém, não me preocupo em o senhor abordar o tema “Religião”, mas sim no fato do senhor pregar a doutrina cristã em suas palavras.


Respondendo sua segunda questão, é lógico que sou contra que o senhor baseie seus escritos na Bíblia. Veja que não sou contra que o senhor siga a Bíblia ou a religião cristã. Porém, devemos concordar que quem escreve (e escreve para as mais diferentes pessoas) deve buscar a verdade racionalmente e não com base na fé. Aqui, estamos diante da mesma questão que acomete o ensino religioso nas escolas. Sou contra o ensino religioso nas escolas? Lógico que não. Agora: sou contra o exclusivo ensino religioso cristão nos estabelecimentos de ensino? É lógico que sim.


Continuando, que bom que o senhor tem sua consciência tranqüila. Sim, é isso que realmente importa. Pecado? Não existe pecado e punições externas. Existe sim como o senhor mesmo coloca “CONSCIÊNCIA”, e essa nos pune na vida mesmo, no dia a dia, e não no “Além”. Por outro lado, se acreditasse em pecado diria que o senhor peca quando diz no final de seu texto que os aborígenes não têm religião e nem cultura. Sinceramente me arrepiei quando li isso.


Com relação ao seu questionamento sobre onde o senhor erra em propagar a sua religião, posso dizer que seu erro está exatamente em não respeitar todas as outras formas de religião em seus escritos. Seu erro está, por exemplo, em menosprezar os ateus, dizendo que eles acreditam em Deus (acredito que você se refira a esse Deus como sendo o Deus Cristão), e também como no texto que acabo de ler, no fato de se referir a cultura aborígene como um povo sem cultura, e pior, sem religião. Como sem religião se o senhor mesmo afirmou que ela é “natural a todos os seres humanos?” Não seriam os aborígenes humanos?


Já sobre a falta de associarmos o conhecimento a prática, concordo plenamente contigo. É exatamente na discordância entre o discurso e a prática que estão nossos maiores problemas. Não é por acaso que Nietzsche diz que só existiu um cristão e que esse morreu na cruz né?


Em referência as estrelas e toda imensidão do universo, já expliquei no meu outro escrito que esse é um problema sem solução e que nenhum ser humano vai conseguir decifrar. É muita pretensão humana querer saber tudo sobre o universo, como também é muita arrogância do ser humano acreditar que um ser a sua imagem e semelhança tudo criou. Com relação a Galileu, Einstein, entre outros, não preciso lembrar que Galileu teve que negar suas verdades para não ser “mais um” morto pela “verdade” da “Santa Igreja” e que Eisnten não acreditava no Deus Cristão, e sim em algo (quer chamar de Deus tudo bem), que regia o universo e não os homens. Ou como ele mesmo diz: “Acredito no Deus de Espinosa, revelado na harmonia de tudo o que existe, mas não em um Deus que se preocupa com o destino e as ações dos homens." Ou ainda, sobre a ética dos homens, dia o grandioso Albert: “O comportamento ético dos homens deve se basear na simpatia, educação e nos laços sociais; não é necessário base religiosa. Os homens estariam em péssima situação se tivessem que ser controlados pelo medo de punição [divina] ou pela esperança de salvação após a morte."


Voltando ao seu texto, concordo com o senhor, quando diz que não devemos colocar goela abaixo nossas convicções. Inclusive é exatamente isso que me leva escrever ao senhor, e também é isso que me faz ser, por exemplo, contrário ao batismo de crianças indefesas, como também ser contrário a presença de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos. Quanto aos seus escritos, não posso interferir no que o senhor escreve, afinal são seus escritos. Porém, já que concordamos que religião cada um tem a sua, pergunto: qual é a necessidade que o senhor tem em externar a sua verdade, se concorda que cada um possui a sua? Assim, sugiro ter cuidado com o que escreve para não ofender aqueles que não seguem a sua religião. Já imaginou o que os fiéis cristãos, que o lêem religiosamente e que o senhor mesmo define como não estudiosos da religião, estão falando e pensando dos ateus depois de ler seus escritos? Que tal um pedido de desculpas? Seria muito legal.


Por fim você deve estar se perguntado o que eu gostaria que o senhor fizesse não é? Pois bem, gostaria somente que respeitasse os ateus e todos aqueles que buscam, cada um a sua maneira, se religar com o universo. Gostaria que falasse da religião num todo e não de uma parte dela, e também gostaria que respeitasse a cultura e a religião dos “analfas aborígenes”. Eles são seres humanos, pode acreditar nisso. Abraço, Alexsander.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A tréplica do Lírio.

Sr. Alexsander: Foi nostálgico saber que lecionei para o seu Pai. Hoje, confesso, fui um professor incompleto. 'Matei' muitas aulas. Rezo seguido pelos meus ex-alunos, que Deus colocou em minhas mãos, e não os eduquei devidamente. Agradeço a atenção dispensada. Não pretendendo polemizar e respeitando opiniões (quando um PT concordaria com um PSDB?) conclui­ duas coisas do seu arrazoado: Primeiro, o Sr. se preocupa deveras que eu pretenda espargir Religião em meus escritos? Ou, o Sr. teria algo contra em eu fundamentar meus escritos na Bí­blia? Preferiria, talvez que eu os balizasse em outras filosofias, que não a aristotélica-tomista? Confesso que não entendi bem, nas suas entrelinhas, esta sua subretância virulância contra a minha linha de pensamento.

Deus me livre, não ouso me apresentar como padrão de comportamento. Mas dentro de minhas limitações, PROCURO ser um bom cidadão, bom pai de famí­lia, bom empresário, bom cristão. Busco aquilo que, no meu entender, é o correto. Qual o meu pecado?

Segundo: O Sr. escreveu que "Religião, cada um tenha a sua e faça-a"... Ótimo! Concordamos. Que cada um tenha a sua. Dentro desta lógica, onde erro em eu ter a minha, defenda-la, espraiá-la (no dizer do Governador), torná-la conhecida? Se alguém é getulista ferrenho, quanto mais estudar Getúlio mais fanático ficará. E o ideal, seria que houvesse concordância entre o conhecimento e a prática da Religião. Este é o MAGNO problema. Não se vive o que se prega. Mas aí­, é outra seara.

O Sr. deve ter lido ZH 22/7 pag. 27: "Descoberta a maior estrela do UNIVERSO. Sua distância da terra: 1 milhão de anos-luz (1 ano luz equivale a 9,46 trilhões de quilômetros). Tamanho: 10 milhões de vezes maior que o Sol"... Tudo isso surgiu e se movimenta POR ACASO?... É fruto do Big Bang?... Posso estar equivocado, quanto a minha explicação do Autor do universo. Mas neste equí­voco tenho a companhia de Newton, Galileu, Einstein e outras figuras...

Achar que os que não comungam da minha filosofia (Religião) 'arderão no inferno' é uma dedução sua, me desculpe. Porque em Teologia, se estuda que existe o Oitavo Sacramento, a Ignorância. Como iria Deus condenar alguém que Ele mesmo criou antes da vinda do seu Filho, antes da Revelação? Como iria condenar os aborí­genes, por exemplo, analfas completos em religião e cultura? Cada ser humano, Sr. Vargas, possui algo que se denomina CONSCIÊNCIA. Desta ninguém escapa. Esta é o termômetro, o referencial, o arbitro do nosso agir. Pode o pai, o professor, o padre, o juiz, o policial falar o que quiserem. ESTA eu não poderei calar. Ela aprova ou condena meu agir. E esta todo o ser humano possui. E segundo esta, Deus julgará a pessoa, se é merecedora da aprovação ou da condenação.

SE, CONTUDO, o cidadão optar por ter opiniões, atitudes, crenças e fé próprias tudo bem. Não vamos duelar ou tentar enfiar goela abaixo a argumentação contrária. Como dizia Lincoln, no tribunal: "Sou totalmente contra seu modo de pensar, mas defenderei até a morte o direito de se opor". Um abraço do Lirio.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A réplica do Ale

Não posso negar que estou aliviado. Aliviado pelo simples fato do senhor ter substituído a palavra “cristão” por “religião”, ou se preferir, por ter substituído “cristãos” por “religiosos”.


Sim, concordo. Somos naturalmente religiosos. Religião em sua etimologia significa religar, reencontrar, ou reeleger. Tudo depende da visão de mundo que cada ser humano possui. Cosmocêntricos tentam se religar, antropocêntricos buscam se reencontrar consigo, e teocêntricos reelegem um salvador. Assim, não podemos negar que todos nós, de uma forma ou de outra, tentamos nos religar com o universo. Inclusive os ateus. Os ateus por sinal, não negam a religião e sim o “teo”, ou seja, tudo aquilo que não se vê. Eles não negam a busca pela harmonia, mas negam sim, a existência de um ser supremo a imagem e semelhança do homem e que tudo rege.


Não vou me ater a autores e teorias para justificar isso. Prefiro a discussão nua e crua, do que o constante direcionamento a uma determinada teoria e seu autor. Teorias e autores existem para todos os gostos e tamanhos, e embora muitos acreditem que não existe filosofia sem história da filosofia, acredito pelo contrário, que a filosofia deixa de existir quando ficamos atrelados a sua história.


Por falar em filosofia, o que me preocupa em seus textos está intimamente ligado a ela. Veja caro Lírio, não estou discutindo sua fé ou sua religião, mas vejo com preocupação aquilo que você coloca (para toda uma região de leitores) como verdade. Você, para explicar a existência de Deus, recorre a São Tomás de Aquino, que como sabemos, tentou com base nas ideias Aristotélicas conciliar razão e fé. Tentou mas não conseguiu. E porque não conseguiu? Simplesmente, porque é impossível explicar o primeiro motor imóvel.


Assim, acredito que se você, como diz em um de seus textos, acha interessante que as pessoas pensem sobre a religião ou que exercitem a filosofia, sugiro que não as dogmatize com o Deus Cristão, e que também não alimente o preconceito diante daqueles que não seguem salvador algum ou que não depositam seus dízimos nas Igrejas. Espero sim que as façam entender, que religião cada um tem e faz a sua maneira.

Sobre o problema metafísico, não será a Bíblia, o Alcorão ou o acelerador de partículas que vai conseguir explicá-lo. Por quê? Porque sempre haverá uma questão posterior a cada descoberta.


Foi o Deus Cristão que deu início ao universo? Mas quem criou o Deus Cristão? Foi uma grande explosão, o Big Bang que tudo originou? Mas quem acendeu o estopim? Ou é a teoria das Cordas e suas 11 dimensões que explicam tudo? Mas e aí? Como as cordas se tocam? Veja que não interessa o quanto nos aprofundarmos no problema metafísico, sempre cairemos numa nova pergunta que não poderá ser respondida. Angustiante isso não? E é mesmo. Porém, está exatamente nessa angústia, nessa inquietude existencial o princípio filosófico e religioso. Filosófico porque jamais deixaremos de nos perguntar, e religioso porque jamais deixaremos de tentar nos religar com esse catastrófico e harmonioso universo.


Para terminar, e reforçando o que já afirmei, confesso que seus textos me causam preocupação, pois ferem exatamente a busca filosófica e a religião de cada indivíduo. Seus textos dão uma resposta, e pior que isso, eles dão uma resposta que não é verdadeira. Ou você acha que seus parentes, amigos, e todos aqueles que não fazem parte da religião cristã arderão no fogo do inferno? Pense nisso.


Abraço, ótimas reflexões e obrigado pela atenção.



Obs: O senhor não me conhece, mas ironias a parte, fiquei sabendo agora, após ler esse texto para o meu pai, que o senhor foi seu professor no ginásio Cardeal Roncalli, lá pelos anos 60. Como esse mundão é pequeno né?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Quem sabe agora proibam o batismo.

BBC

28/07/2010 10h56 - Atualizado em 30/07/2010 10h07

Bebê morre após ser submerso três vezes durante batismo


Criança teve água nos pulmões e morreu a caminho do hospital em Chisinau, na Moldávia; padre é acusado de homicídio culposo.


Um padre da Moldávia está sendo investigado pela morte de um bebê que se afogou após ter sido submergido três vezes durante a cerimônia de batismo.

Familiares acusam o padre, Valentin Taralunga, da Igreja Católica Orotodoxa, de negligência ao prosseguir com a cerimônia apesar dos sinais de que a criança, de um ano e meio, estava se afogando na pia batismal.

Médicos da capital moldávia, Chisinau, diagnosticaram que o bebê morreu por afogamento. O padre está sendo investigado por homicídio culposo, punível com até três anos de prisão.

Ao prestar depoimento, o padre Taralunga negou as acusações e disse que obedeceu aos cânones religiosos que ensinam sobre a cerimônia de batismo.

A família repassou à polícia um vídeo amador do momento em que o religioso submerge a criança na água. O conteúdo do vídeo foi divulgado pelas TVs locais.

Entretanto, os investigadores que trabalham no caso disseram a uma delas, a Publika TV, que ainda é cedo para chegar a uma conclusão.

Na cerimônia católica ortodoxa, os padres tampam o nariz e a boca das crianças durante os curtos instantes em que elas são submergidas na água benta.

Um porta-voz da Igreja disse não recordar de semelhante episódio na história religiosa do país.

Logo após a imersão na água, o bebê é visto com dificuldades de respirar. Segundo testemunhas, minutos depois a criança começou a espumar pela boca e sangrar pelo nariz.

Levado para ser socorrido, o bebê morreu a caminho do hospital. O diagnóstico da morte foi ocorrência de água nos pulmões.

A resposta de Lírio.

Antes de mais nada preciso pedir desculpas a todos vocês que aguardam ansiosos pela resposta de Lírio. Como sabemos havia-a prometido para quarta-feira, porém, maravilhosos, formidáveis e impagáveis imprevistos acometeram minha existência nos últimos dois dias, me impossibilitando a publicação desta. Mas, como diz o ditado, "antes tarde do que nunca", e aí então vai a resposta do cristão Lírio. Segunda-feira, se tudo ocorrer dentro do previsto, a réplica do Ale.



SR. ALEXSANDER: Acho que não o conheço, se não poderíamos nos entreter num chat amistoso. Peço perdão se ofendo seus princípios, mas se Deus respeita a liberdade, quanto mais eu! A respeito do 'fanáticos religisosos'... depende da metalinguagem. Se sou radical? Sou, aliás está na Bíblia: "Se não fores nem frio, nem quente, Eu te vomitarei". Sou colorado empedernido, mas veja, meu irmão é cônsul do Grêmio... Meu primo é pastor batista. Minha filha casou com um muçulmano iraniano. E nos entendemos perfeitamente. Às vezes, o não-fanatismo é fruto da ignorância. Sócrates, o pai da filosofia, afirmou que o homem pratica o mal por total ignorância, e quando pensa que 'aquele Mal, para ele é o bem'. Verbi gratia: o assassino mata porque entende que a vítima é um estorvo, um perigo, um adversário para ele...

'O HOMEM É NATURALMENTE CRISTÃO' - Em filosofia, estuda-se uma tese: "Anima naturaliter christiana". VEJA que o termo cristão não signf ica especificamente católico, mas sim RELIGIOSO! Desde os primórdios da Humanidade, nenhum povo, nehuma raça, em nehum estágio ou local abstraiu Deus. Lógico que o Deus deles, muitas vezes era até um animal, ou um astro, ou um elemento. Mas sempre o homem se reportou a Uma Força, Um Ser SUPERIOR, do qual ele dependia e que o criara e mantinha.

Se não me equivoco deve ter sido o filósofo ateu Rousseau. Dizia: dêem-me uma criança, desde o leite materno, para eu criá-la e duvido que terá sentimentos religiosos. Assim foi feito. Adotou um menor, que ele educou à sua maneira, longe de tudo o que cheirasse a Religião, aprisionado na sua residência. Qual não foi o seu espanto, quando um dia, entra no quanto do menor e o encontra, de joelhos, bendizendo ao Deus-Sol, que entrava pelas frestas da janela. A maior prova da existência de Deus, está no interior do Ser Humano. Ou de onde fluiriam os sentimentos de Justiça, Bondade, Beleza, Amor do coração humano? Daí, o 'naturalmente religioso'.

Muitas pessoas (aconteceu com Ghandi, quando esteve em Londres) se decepcionaram com a Religião, ou com o Cristianismo, Judaismo, Islamismo, quando percebem que os 'cristãos' não vivem o que pregam. Falta coerência! Bem, mas aí é outro compartimento. Ninguém condenará o Ensino, porque o professor é relapso ou o aluno cola. Ninguém condenará a Democracia, porque o politico é canalha. Etc, etc.

No fundo, a Religião depende de FÉ. E fé é um dom, uma graça, um lampejo que o cidadão recebe. Às vezes, ele está oculto num exemplo, num livro, numa frase, num fato, numa educação, numa família, num colega. Quantos se 'coverteram' até ouvindo uma piada. Bocage, o maior piadista português, passou a vida ridicularizando a Religião. Convertido, na hora da morte produziu aquele imortal soneto que assim se fecha: "Saiba morrer, quem viver não soube..."

É interessante deter-se na frase do filósofo De Maistre, que não era católico: "Ninguém afirma 'Deus não existe', sem antes ter desejado que Ele não exista"... Mas, meu caríssimo Alexsander: sinto-me lisonjeado pela leitura das minhas despretenciosas colunas. Se realmente, pretende mergulhar em leituras teológicas, poderia indicar alguma bibliografia. Lamentavelmente, nosso povo, e especialente nosso povo cristão, não lê. É analfa em assuntos religiosos. Não que eu seja entendido... apenas me defendo. Gostaria muito de ter tido curso de Teologia. Nosso Rui Barbosa possuía biblioteca própria com 35 mil volumes. E nós?! Que Deus (naturalmente) o proteja. Grato. Lirio


terça-feira, 27 de julho de 2010

A pergunta do Ale

Confesso que pensei em criticá-lo pontualmente, mas desisti. Acho complicado discutir com fanáticos religiosos. Eles são perigosos. Assim, preferi apenas fazer uma pergunta.


O senhor diz, em sua coluna publicada no dia 26/06/2010 no Jornal Alto Uruguai e intitulada como 1º) Será que Deus existe?!”, que o homem é naturalmente cristão. Poderia me dizer por quê? Att, Alexsander de Vargas.


Amanhã, a resposta de Lírio.



Série Ale e Lírio

Não sei se vou ferir a moral, a ética ou alguma outra coisa que eu não saiba o que significa. A questão é que essa semana vou reproduzir aqui no Blog uma conversa que tive (via e-mail) com o senhor Lírio Zanchett.


Lírio é colunista do Jornal Alto Uruguai, e a partir do dia 26/06/2010, publicou um série de escritos no jornal frederiquense, com o título “Será que Deus existe?” (Para quem quiser conferir acesse: www.oaltouruguai.com.br)


Como Zanchett, aborda delicados temas como ateísmo, religião e filosofia, decidi questioná-lo. Lírio tentou me responder, mas encerrou o diálogo no terceiro e-mail. Porque fez isso? Confira essa semana só aqui no Blog do Ale.



sexta-feira, 23 de julho de 2010

Burro ou louco?

Duas coisas ficaram claras no jogo do Inter contra o Atlético Mineiro: a primeira que Roth deu outra cara ao time. E a segunda, que ele continua o mesmo.

Roth é uma incógnita. Ninguém sabe se é burro ou louco. Ele entra para ganhar e mexe para perder.

No jogo contra o Galo Mineiro, eram 28 minutos do segundo tempo, quando Celso Roth sacou Tinga e colocou Wilson Mathias. Ele tinha Andrezinho no banco, mas preferiu um volante a um armador. Preferiu a loucura ao encantamento.


Roth podia continuar com o Inter a frente, marcando o adversário em seu campo, e criando oportunidades de gol. Podia continuar enchendo os olhos do torcedor e calando todos seus críticos. Mas não. Roth preferiu um filme de terror a um conto de fadas. Preferiu, do alto de sua insana inteligência chamar o empate do que garantir tranquilamente os três pontos.

O Inter de Roth pós 28 minutos, retrancado e acuado com três volantes, fez de tudo para empatar. Tentou, perseguiu e quase conseguiu. Felizmente não obteve êxito. Pato salvou. Deu tudo errado para o insano Roth, e deu tudo certo ao burro do Celso.

Burro ou louco? Decidam vocês. Eu só espero que ele continue 100%.